“A caçadora de bruxos”, de Virginia Boecker, é o primeiro da série recém-publicada no Brasil pela Editora Galera Record. Sua sequência, “The king slayer”, foi publicada no exterior em junho deste ano.

Na Ânglia do século XVI, a prática da magia é ilegal e infratores são queimados nas fogueiras. Elizabeth Grey é uma das melhores caçadoras de bruxos do rei: ela localiza e captura Reformistas, rebeldes suspeitos de praticar feitiçaria para que sejam julgados e executados, conforme manda a lei. Até que, inexplicavelmente, ela é incriminada e acaba presa sob a acusação de praticar a arte que se dedicou a erradicar. A salvação, no entanto, acaba vindo na forma de seu maior inimigo: Nicholas Perevil, o mago mais poderoso e procurado de Ânglia. À medida que Elizabeth se associa aos Reformistas, suas crenças sobre a legitimidade da proibição da magia são profundamente abaladas. Ela se vê em meio a uma contenda política de proporções épicas e percebe que seus antigos aliados agora são seus inimigos mortais. Será que Elizabeth está pronta para decidir de qual lado está sua lealdade, afinal de contas?

“A caçadora de bruxos” é o tipo de história que conquista como um todo. Entre as características estão o desenvolvimento bem definido, a abordagem direta e o plot interessante. Acrescente personagens interessantes e uma protagonista forte e pronto! Começamos bem!

Ia tudo muito bom, tudo muito bem… Até que fica notável o quanto a autora abusa da escrita entrecortada. O períodos são sempre curtos. Ponto a ponto. Sem mais. Sem tempo de envolvimento. Entende? Pois é, assim. E nada mais cansativo do que algo tão truncado.

Agora, o que derruba o livro é a forma como ele trata um estupro. Existem certas coisas sobre as quais simplesmente não posso deixar de falar, ainda que revele uma questão tão pesada e importante assim, e esta é uma delas. A situação é insustentável. Tratar por menos foi inaceitável. Deste momento em diante, o restante só desandou. Em parte por causa do encaminhamento (ainda não consigo aceitar bem o final), mas também pelo posicionamento tomado diante de questões assim.

 Resultado: “A caçadora de bruxos” entra para o hall de oportunidades desperdiçadas. O que é frustrante, claro, e não deixa de ser uma pena, muito menos uma decepção.