Atualmente, os livros de Cassandra Clare já chegam ao mercado com fanbaseDama da Meia-Noite garantida. Divergências pós-leitura à parte, o mínimo do benefício da dúvida é uma realidade possibilitada pelo sucesso das obras anteriores da autora, que responde por séries como “Os instrumentos mortais”, “As peças infernais” e “Magisterium” – esta coescrita por Holly Black. Agora, após a publicação de mais de dez livros de Clare no Brasil, a Editora Galera Record dá início à série “Os artifícios das trevas” com “Dama da meia-noite”.

Cinco anos após os acontecimentos de Cidade do Fogo Celestial, acompanhamos os Caçadores de Sombras do Insuto de Los Angeles enquanto tentam descobrir os responsáveis por uma série de assassinatos que vitimam tanto humanos quanto fadas. Emma Carstairs é uma guerreira,uma Caçadora de Sombras: a melhor de sua geração.Ela vive para lutar. E faz isso ao lado de seu parabatai, Julian Blackthorn. Juntos eles patrulham as ruas de Los Angeles, onde vampiros fazem a festa na Sunset Strip, e fadas — as mais poderosas das criaturas sobrenaturais — tentam se manter na linha depois de uma guerra com os Caçadores de Sombras. Quando os corpos de fadas e de humanos assassinados começam a aparecer com as mesmas marcas encontradas nos pais de Emma, há alguns anos, uma aliança preocupante se forma. É a chance de Emma se vingar, mas também a oportunidade de Julian recuperar o irmão mais velho, Mark, prisioneiro do Povo das Fadas e integrante da Caçada Selvagem desde a Guerra Maligna — que alçou Clary Fairchild e Jace Herondale ao posto de Caçadores de Sombras-celebridade. Tudo que Emma, Mark e Julian precisam fazer é resolver o mistério dos assassinatos em duas semanas..

“Desde que haja amor e lembrança, não existe morte de verdade.”

O mundo dos caçadores de sombras é e continua a ser um espetáculo por si só. Talvez por isso Clare o explore tanto. A mistura de treinamento de combate, missões e os mais variados seres sobrenaturais tem um carisma único. Em meio a reservas sobre mais um “retorno ao lar”, por assim dizer, a melhor notícia é que “Dama da meia-noite” traz novo fôlego a pontos, que vão desde os menores até os mais relevantes.

Como leitora de “Os instrumentos mortais” e “As peças infernais”, posso dizer que, mais do que a constante ambientação no mesmo universo, o que mais me incomodava nos livros era a repetição dos traços de personalidade dos personagens. Especialmente dos garotos protagonistas, que sempre tinha que ser o cínico-sarcástico-lindo-incompreendido versus o bonzinho-centrado-amigo-de-fé-irmão-camarada. A quebra desse ciclo foi um dos maiores acertos. Para variar um pouco, Julian veio no papel de rapaz maduro, equilibrado e interessante à própria maneira. Emma, apesar de frustrante vez ou outra, é uma protagonista de movimento, cujas características são essenciais para o livro como um todo.

Certas coisas nunca vão mudar, a exemplo da veia dramática típica. Não é uma questão de se perguntar se vai acontecer, mas quando/onde vai aparecer na história. Em contrapartida, o estilo de narrativa me parece mais apurado. Eu diria até refinado. Com um ritmo cheio de agilidade, narrativa em terceira pessoa e pontos de vista amplos, esta acaba por ser uma leitura surpreendentemente rápida e fácil.

“Dama da meia-noite” oferece mistérios, ação, amor e possivelmente alguns momentos de (quase) paradas cardíacas, além de revisitar personagens das séries anteriores. Não, não é preciso ler os outros antes de passar por este… Mas recomendo ler pelo menos “Os instrumentos mortais”. Até porque, garanto, casos bem-sucedidos de iniciação por “Os artifícios das trevas” resultarão no desejo de mergulhar ainda mais no mundo dos caçadores de sombras.