Este é um posto especial, pensado em homenagem a uma série Terry Pratchettigualmente especial. Podem encarar como uma resenha, um indicação ou uma tentativa de convencê-los a ler os livros dos quais estou prestes a falar. Todas as opções são verdadeiras.

Mas vamos começar do início. Primeiro é preciso saber que Terry Pratchett não é qualquer autor. Se ele ainda é novidade na sua vida, fique calmo, respire fundo, depois jogue tudo para o alto e corra atrás do tempo perdido. Estamos falando de um dos principais nomes da literatura fantástica!

Terry publicou mais de noventa livros no decorrer na longa carreira. Dentre os destaques estão os pertencentes á série “Discworld”, uma das mais famosas, que se passa num mundo mágico de forma achatada apoiado nos ombros de quatro elefantes, equilibrados sobre o casco de uma tartaruga. A Bertrand Brasil publicou dois títulos da série, “Pequenos deuses” e “Lordes e damas”, e agora apresenta uma nova vertente do autor com uma nova série infantojuvenil que, apesar não ser integrante da “Discworld”, é ambientada no mesmo universo.

Embora Tiffany Dolorida possa parecer brincadeira, algum apelido daquele tipo que ganhamos na escola, deve ser tratado com respeito. Afinal, este é realmente o nome da pequena Tiffany e, além do mais, da título à série que narra as empreitadas da menina. Tudo começa em “Os pequenos homens livres”, quando a bruxinha usa as armas letais que são sua frigideira e mente afiada contra os poderes do oculto após ter o irmão sequestrado pelas criaturas mais terríveis: fadas. Com a ajuda inesperada de um grupo de homenzinhos azuis de mais ou menos 15 centímetros, ela se joga com tudo num mundo em que nem os cavaleiros que (literalmente) perderam a cabeça  ficam de fora.

Vejam bem, a situação inteira é sem igual. A história de Tiffany é recheada de ironias, desencontros, inversão de papéis e muito, muito humor. É absolutamente único. Insanamente maravilhoso!

Nada do que Pratchett escreve no livro se encaixa nos padrões da fantasia (ou da literatura em geral, devo dizer). Aqui, bruxas são boas e fadas são más. Seres que talvez pudessem ser descritos como duendes são na verdade pessoinhas embriagadas, brutos e metidos com todo o tipo de coisa errada,de brigas a roubos. Realidade e emoção se chocam. O resultado? Não poderia ser melhor.

Mas se no primeiro livro já é possível cair de amores por essa garota de 9 anos corajosa, determinada e ativa, o quadro só melhora com “Um chapéu cheio de céu”. Depois de um determinado tempo, a vida de Tiffany passa por mais uma mudança drástica, que agora a põe cara a cara com a profissionalização no ramo da bruxaria e a provável necessidade de enfrentar desafios por conta própria desta vez. Novos tópicos entram em foco agora, de autoconhecimento, passando por novas criaturas, até interesses românticos. Por fim, não fica devendo em nada ao primeiro, que já é muito bom. Muito pelo contrário, é capaz de superá-lo.

Okay, acho que é hora de parar. Apenas saibam que nem sequer é preciso ler os livros em ordem (mas que sentirão vontade logo que se abrirem ao contato). A família Dolorida espera por vocês. Vamos todos juntos em direção ao Discworld!