Laurie Frankel foi a autora norte-americana considerada pela BookPage uma das 10 mulheres a serem acompanhadas de perto em 2012. Pós-graduada em literatura inglesa, lecionou redação, literatura e estudos de gênero na Universidade de Puget Sound antes de se dedicar à escrita em tempo integral. Seus dois romances, Atlas do Amor (2010) e Adeus, Por Enquanto (2012), têm como casa editorial a editora Paralela.

O debut O Atlas do Amor aborda a história de amizade, família e amor protagonizada por três amigas que se unem para criar um bebê, Atlas, quando uma delas se vê grávida e abandonada pelo namorado. Na mesma trilha de delicadeza, beleza descoberta na simplicidade Adeus, Por Enquanto, frequentemente comparado a sucessos como Um Dia, do inglês David Nicholls. Esse segundo livro apresenta um romance moderno no qual o antigo programador de uma empresa de encontros on-line cria um software através do qual pessoas de luto podem interagir com simulações de seus entes queridos falecidos. O que ele não sabe, porém, é que seu relacionamento com a namorada seria interrompido quando a morte chega para um dos dois, assim levando o outro a se tornar usuário desse mesmo programa (leia a resenha aqui).

Atualmente, Laurie mora com o marido e o filho em Seatle. Ela ainda é membro da Seattle7Writers, organização sem fins lucrativos formada por autores que criam conexões entre escritores, leitores, bibliotecários e livreiros com o objetivo de promover e apoiar a escrita.Muito atenciosa e simpática, a autora fala aqui sobre o apoio que recebe da família, as comparações às quais seus livros são submetidos, adaptações cinematográficas por vir e muito mais!

ÚLTIMO ROMANCE: Você é uma pessoa romântica? Acha que isso pode se refletir em suas obras?
LAURIE FRANKEL: Sou, e acredito que sim. Eu acredito que todas as histórias são histórias de amor, e isso é passado para tudo o que escrevo, e, sem dúvida, tudo o que todos escrevem. Mas eu quero uma história de amor no meio, não importa o que estou escrevendo ou, no caso, lendo. Isso é sempre o que eu quero.

UR: Se você pudesse escolher um livro para representá-la como leitora, qual seria?
LF: If On A Winter’s Night A Traveler, de Italo Calvino.

UR: O que mudou mais agora que você deixou de lecionar em universidades para se dedicar somente aos seus livros?
LF: Tempo. É incrível quão mais tempo eu tenho para escrever agora que não estou lecionando — bem, lecionando, planejando, avaliando, me deslocando, reunindo com estudantes e colegas, e tudo mais que um trabalho de tempo integral requer. Poder usar todo esse tempo e energia para escrever em vez de tentar empurrar a escrita para o tempo e energia que restassem é uma grande e maravilhosa mudança. A ideia de escrever e ser uma escritora também muda (para melhor e também para pior) quando se faz disso um trabalho e uma forma de ganhar a vida, e não de um hobby.

UR: Já se imaginou vivendo no mesmo ambiente que seus personagens? Poderia dizer como acha que agiria se o programa criado por Sam em Adeus, Por Enquanto já estivesse disponível para todos nós?
LF: Eu sempre me imagino vivendo no mesmo ambiente que meus personagens. Só assim consigo escrever sobre eles e seu mundo. Quanto ao RePose, você fez uma ótima pergunta! Tenho pensado muito a respeito, é claro, e ainda não tenho certeza se o usaria ou não. Isso é em parte porque tive que explorar os pontos positivos e negativos dele para o livro. No fim, eu provavelmente acabaria cedendo e usando, se pudesse. Mas eu seria cautelosa!

UR: Você chegou afirmar que parte da inspiração para escrever Adeus, Por Equanto veio da sua frustração com o Facebook e todo o tempo que passamos online atualmente. Isso quer dizer que você escreveu tentando passar algum tipo de mensagem em particular?
LF: Eu acho que tudo que se escreve deve ter algo a dizer, e foi daí que comecei — preocupada o tempo todo com o tempo que passamos online atualmente. Mas a mensagem cresceu a partir daí e ficou ao mesmo tempo mais suave e mais complicada. Esse era um dos pontos nos quais eu queria chegar, com certeza, mas eu também desejava escrever uma história inteligente, divertida e tocante sem deixar de ser fiel aos personagens. Espero ter feito isso mais do que batido desnecessariamente na tecla da mensagem.



UR:  Na sua opinião, o que há de melhor em Adeus, Por Enquanto e O Atlas do Amor?
LF: Estou particularmente satisfeita com as famílias não-tradicionais, com a forma como amigos e até mesmo estranhos se unem para apoiar e amar uns aos outros e formar uma família. Isso é algo que me propus a fazer em O Atlas do Amor, mas em Adeus, Por Enquanto aconteceu acidentalmente.

UR: Seus personagens conversam com você? Quero dizer, eles simplesmente te deixam seguir com a história da forma que bem entender?
LF: Fica muito mais fácil escrever quando você desenvolve bons personagens, porque aí eles simplesmente assumem e fazem o que você os criou para fazer. Você não precisa mais tomar nenhuma decisão porque criou pessoas que irão tomar essas decisões sozinhas. Fazer uma boa caracterização é como criar crianças realmente auto-suficientes, realizadas e confiantes. (Eu espero passar isso do meu conjunto de habilidades de escrita para meu conjunto de habilidades como mãe.)

UR: O que dizer das comparações que as pessoas estão sempre fazendo entre Adeus, Por Enquanto e outros livros? Alguma delas te agrada?
LF: Bem, é claro que escritores sempre querem pensar que seu trabalho é único, e editores e livreiros sempre querem fazer comparações, pois isso ajuda nas vendas e ajuda os leitores a encontrarem livros dos quais gostem. Então estou dividida. É um pouco difícil definir o gênero dos meu livros, e isso tanto me agrada quanto dificulta a comercialização deles.

UR: Um filme baseado no seu segundo romance está a caminho, certo? Como estão as coisas?
LF: Os direitos autorais para o filme foram adquiridos. É muito emocionante. A melhor parte é que não tem nada a ver comigo. Há algumas pessoas de Hollywood maravilhosamente talentosas tomando conta de tudo.

UR: Sua mãe pensa nos seus livros como “livros-netos”. Quão incrível é isso?
LF: Selvagemente incrível. Meus pais são imensamente amorosos, entusiasmados e orgulhosos.

UR: Como é saber que seus livros já foram publicados em quase 30 países? Será que você já sentiu vontade de visitar algum desses lugares?
LF: Você está brincando? Eu quero visitar todos eles. É uma honra meus livros em tantos lugares do mundo, mas é um pouco triste que eles cheguem a tantos lugares nos quais eu mesma nunca estive. Realmente espero ter a oportunidade de visitar todos em breve.