Magônia é o primeiro volume da trilogia de mesmo nome da autora Maria Dahvana Headley, publicada anteriormente no Brasil pela Editora Record, com o livro “A rainha dos reis”. Headley faz parte do Projeto The Upstart Crow, uma organização que irá reunir 37 dramaturgas que irão adaptar todas as peças de Shakespeare para versões contemporâneas.

Aza Ray nasceu com uma estranha doença incurável que faz com que o ato de respirar se torne mais difícil. Aos médicos só resta prescrever medicamentos fortes na esperança de mantê-la viva. Quando Aza vê um misterioso navio no céu, sua família acredita que são alucinações provocadas pelos efeitos do medicamento. Mas ela sabe que não está vendo coisas, escutou alguém chamar seu nome lá de cima, nas nuvens, onde existe uma terra mágica de navios voadores e onde Aza não é mais a frágil garota enferma. Em Magônia, ela não só pode respirar como cantar. Suas canções têm poderes transformadores e, através delas, Aza pode mudar o mundo abaixo das nuvens. Em uma brilhante e sensível estreia no gênero young adult, Maria Dahvana Headley constrói uma fantasia rica em nuances e cheia de simbolismo.

Sou matéria escura. O universo dentro de mim está cheio de alguma coisa, e nem a ciência consegue ter ideia do que seja. Sinto como se fosse feita quase inteiramente feita de mistérios.

O primeiro mérito de “Magônia” é a originalidade. A mitologia e ambientação que se destacam na sinopse não deixam a desejar quando a questão é inovação. No entanto, o maior problema do livro também tem raízes justamente nesse pontapé inicial que, apesar de animador, acaba se mostrando falho. É uma situação complicada, na verdade. Apesar de o negativo não anular o positivo, a desarmonia, sim, é constante.

Faltou refinar o conteúdo. Às vezes a situação é confusa, mas em outras o erro está na forma como um acontecimento é narrado. Pontos confusos induzem o leitor à confusão, sem necessidade. E enquanto isso a história vai caminhando, sem conseguir se superar mesmo com os personagens interessantes e foco razoável.

Não posso desencorajar a leitura de “Magônia”, porque a experiência ainda foi mediana. A questão é que o  mediano não satisfaz. Enquanto YA, ou seja, na estrutura, ele não difere em basicamente nada dos outros que já circulam por aí. É possível que isso seja tanto um atrativo quando um fator desanimador… Então, por fim, fica mais essa área cinzenta.