No limite do desejoKatie McGarry vem conquistando espaço com seus livros no Brasil há anos. A estreia aconteceu com “No limite da atração”, publicado pela Verus em 2013. Desde então, a editora também publicou “No limite da ousadia”, “No limite do perigo” e, agora, “No limite do desejo”. Embora os volumes não façam oficialmente parte de uma série, este quarto título traz de volta o universo dos personagens introduzidos gradativamente livro a livro.

Aqui conhecemos West e Haley, dois adolescentes de mundos completamente diferentes unidos por uma combinação de acontecimentos ruins e problemas familiares. Ambos passaram por mais bocados; ele nos bastidores do glamour ostentado pela família rica, e ela no desespero de não ter um lar desde que a família perdeu tudo.

A relação que os dois constroem é complicada desde o príncípio. Após se conhecerem enquanto tentam salvar um ao outro, West acaba envolvido numa luta e MMA para a qual não tem treinamento com a simples intenção de apoiar Hailey e ajudá-la a ter de enfrentar um problema a menos sozinha. Por sua vez, Haley é campeã de kickboxing que decidiu encerrar a carreira abruptamente há meses. West é exatamente o tipo de pessoa com a qual ela jurou a si mesma nunca mais se envolver, mas se vê na posição de treinadora quando o talento bruto do rapaz é insuficiente para o confronto por vir. A intenção é manter as coisas simples, com variações restritas ao ringue e ao campo da amizade. No entanto, há coisas que não podem ser controladas. Às vezes é preciso lutar pelo amor.

Venho acompanhando os livros de McGarry desde “No limite da atração”. Embora os volumes sejam independentes, acredito que essa sequência fez toda a diferença na forma como enxergo os personagens e absorvo as histórias. Isso porque viro as páginas com a certeza de que se tudo der errado terei no mínimo uma experiência agradável a nível de condução e narrativa.

Como nos anteriores, “No limite do desejo” tem um grande fator a seu favor chamado rítimo. O momento em que as coisas acontecem é o certo. É natural. Sem enrolação. A narração intercalada entre os protagonistas oferece uma espécia de campo de visão ampliado, o que só maximiza o efeito agradável da fluidez que já dava os primeiros sinais antes.

A vida dos protagonistas está longe de ser fácil, mas o mais importante aqui são as questões sérias que eles despertam. Essa foi uma das coisas mais sobressalentes para mim, porque não estava tão presente nos demais. Desta vez, temas como agressão doméstica são postos em xeque, e me alegra ver a forma como a autora conseguiu trabalhá-lo com seriedade e respeito, mas sem julgar, ditar regras ou perder o tom da voz adolescente.

Outro ponto positivo é termos um romance fofo, sim, mas realista. O que mais gosto na trajetória de Haley e West é ver que eles não se encontram um no outro, mas um com o outro, lado a lado. Em meio a todos os problemas, o relacionamento não é uma muleta, muito menos uma resposta milagrosa, mas parte do caminho em direção a um futuro melhor.

“No limite do desejo” volta a se diferenciar até na relação com os outros três livros, porque fecha algumas das lacunas deixadas em “No limite do perigo” e verdadeiramente complementa o anterior. A maior conexão está aí, feita maravilhosamente.

Para os adeptos de romances, não há dúvidas de que esta é uma opção. Já para aqueles que, como eu, pensam duas vezes antes de pegar um, posso dizer que, se é para ler romance juvenil, que sejam os livros de Katie McGarry: foge do combo clichê, tem bons personagens, bom desenvolvimento e a dose certa de amor aplicado.