“Alta fidelidade”, adaptado para os cinemas 2000, é o romance que marcou a estreia do inglês Nick Hornby na literatura ficcional. O autor, um dos fundadores de um centro de excelência no tratamento de crianças autistas, escreveu outros livros que o destacaram, como “Um grande garoto”, “Febre de bola” e o recente “Uma longa queda”, todos também com versões cinematográficas.
Aos 35 anos de idade, Rob é o tipo de pessoa para qual a vida não faz sentido sem música. Infelizmente para ele, a loja de discos da qual é dono está à beira da falência. É claro que existem outras coisas primordiais, como a sorte de ter a mulher que você considera o amor da sua vida ao seu lado. Mas e quando essa mulher acaba de deixá-lo?
Com a saída de Laura do apartamento que dividiam, Rob começa uma lista dos cinco piores términos de todos os tempos. Parte importante da ideia, claro, é se vingar deixando Laura de fora. O processo todo de relembrar acaba levando-o a reavaliar várias aspectos da própria vida. Começa aí o novo percurso reavaliado — quem sabe até melhorado? — desse homem.

O que vem antes, a música ou o sofrimento? Eu ouvia música porque sofria? Ou sofria porque ouvia música? Será que aqueles discos todos é que me deixavam melancólico?

Vamos deixar claro que não fui com a cara do protagonista desde o início. Por quê? Porque o discurso furado sobre relacionamentos, culpa feminina e masculina no sucesso ou fracasso das relações não me convenceu. Porque ele me faz lembrar daquelas pessoas que nos cutucam ao contar uma piada que consideram engraçada quando na verdade foi apenas idiota.  Porque ele é sem noção, egoísta e enche de tanta lamentação no vai e vem de lembranças.
O livro é narrado em primeira pessoa. Pense numa história guiada por um personagem com o qual você não simpatiza, cuja narrativa ainda é lenta. É a receita ideal para que o resultado seja ruim. Mas quer saber? Não foi. Não completamente. Usando um clichê presente em toda comédia romântica que se preze: é complicado.
“Alta fidelidade” envolve por acertar no nosso lado mais desagradável. Rob pode ter vocação para idiota, mas joga na cara do leitor um belíssimo “Quem é o babaca agora?” logo após te desafiar a lembrar dos seus maiores erros. Literalmente. Ele nos faz lembrar do quanto o ser humano é falho, mesmo ao tentar acertar. É certo que reflexões interessantes eram propostas enquanto eu tentava me conformar em tentar relevar o narrador.

Quem vem salvar o dia? Os personagens secundários, claro! Quero dizer, dão uma boa melhorada. Juntamente com as excelentes citações musicais (tiro meu chapéu para todas!), é o pessoal da loja que dá uma levantada/animada no que poderia se arrastar.

Esse livro é considerado um clássico pop. Bom para quem gostou. Como ficará marcado para mim é outra história. Já disse, é complicado. Certamente não amei, mas também não detestei. Última parada para “Alta fidelidade: limbo.

Título original: High Fidelity
Número de páginas: 312
Editora: Companhia das Letras