“Amor nas estrelinhas” é uma das dez últimas obras da londrina Katie Fforde, fundadora da Katie Fforde Bursay, instituição de apoio a jovens escritores. Atualmente, o total de publicações da autora no mercado corresponde a vinte e três livros. Com o mais recente, “Recipe for love”, foi consagrada vencedora do prêmio de melhor romance contemporâneo da Romantic Novelist’s Association.

Nesse livro, Laura Horsley é apaixonada por literatura e por seu trabalho. Se é verdade que seus pais não aprovam a única filha acabar trabalhando numa loja depois de sair da universidade formada num curso também não aprovado por eles? Sim. Só que Laura não passou anos em qualquer loja: se tratava de uma livraria.

Agora, prestes a ficar desempregada com o fechamento da livraria à vista, a confortável previsibilidade do dia-a-dia está para dar adeus. E ao invés de isso se dever ao simples stress da procura por outro emprego, Laura termina envolvida em nada menos do que a organização de um festival literário. Assim, para garantir algum sucesso, ela deverá convencer um recluso, temperamental, atraente, conhecido mulherengo e premiadíssimo autor a comparecer ao evento. Autor esse que responde por Dermot Flynn, vulgo escritor favorito de Laura. O único problema é que a condição dele para dar comparecer tem tudo para mexer com os sentimentos da moça mais do que o desejado.

Laura deu um profundo suspiro, desmoronando um pouco com o peso de seu equívoco.
– É que eu nunca pensei que você realmente pudesse me amar. Tanto quanto eu…
– Bem, eu posso – interrompeu ele. – E se você não tomar cuidado, vou provar.

Essa é uma comédia romântica com o característico humor sutil inglês, romance “dança das cadeiras” e vários momentos de vergonha alheia. Ah, as lembranças não me deixarão tão logo! A viagem oferecida ao leitor pelo território britânico é mais do que válida, mas a viagem em si que são algumas situações é coisa de outro nível. Pelo menos dá para rir — só não sei se pelos motivos intencionados por Fforde.

Os altos e baixos são impossíveis de ignorar. Do início ao fim, o livro é capaz de gerar diversão, encantamento e sorrisos doces com a mesma facilidade que frustra ou deixa rastros apatia. A narração em terceira pessoa caminha bem, mas a protagonista não ajuda, já que tem o dom de perturbar com a insegurança e imaturidade. Para compensar, o mocinho é carismático. O relacionamento, quando engata, é fofo. É uma pena ter perdido espaço para outras coisas menos agradáveis.

O diferencial fica por conta da temática literária muito bem explorada. Fica fácil se sentir confortável lendo sobre rotinas, desafios e prazeres da área quando se é apaixonado por livros. Apesar do resultado razoável, está aí algo capaz de nos fisgar desde o começo. Com o restante é questão praticar pôr o foco na apreciação do lado bom das coisas.

Título original: Love Letters
Número de páginas: 400
Editora: Record