Após o sucesso de “Belo desastre”, que se confirmou com os lançamentos das sequências “Desastre iminente” e “Belo casamento”, todos publicados no Brasil pela Verus, “Bela distração” vem como abre alas da nova série intitulada “Irmãos Maddox”, spin-off da anterior. Depois dele virão mais três volumes: “Beautiful redemption”, “Beautiful sacrifice” e um último ainda sem título definido. A Verus também está para publicar outro livro de Jamie McGuire, a ficção científica Red Hill.
Trenton Maddox é tão cobiçado na região quanto seus irmãos. Tatuador talentoso, ele, antes o rei da Universidade de Western, hoje, depois de sobreviver a um acidente que mudou sua vida, mora com o pai na casa onde cresceu, ajudando-o a pagar as contas com o dinheiro que ganha no estúdio.
Cami Camlin orgulha-se de ser dona do próprio nariz. Vinda de uma família complicada, com um pai casca grossa e três irmãos tão brutos quanto amorosos, ela se esforça para conseguir se manter enquanto ainda cursa a faculdade, trabalhando como bartender no The Red Door para manter a independência conquistada desde o ensino médio. Quando a viagem para encontrar o namorado é cancelada, resultando num inesperado e raro fim de semana de folga, Trent entra com tudo em sua vida. E, apesar de tentar se convencer que não terá problemas em manter a relação no campo da amizade, a crescente proximidade se prova mais e mais perigosa, seja em níveis óbvios ou nos que os segredos que ela guarda escondem.

Olhei para Trenton quando percebi que ele estava me encarando.
— Que foi?
— Eu só estava aqui pensando que agora seria uma ótima hora pra reconhecer que você é perfeita e que não seria ruim se você se apaixonasse perdidamente por mim em algum momento de um futuro breve.

Quem lê “Bela distração” ganha de Jamie McGuire uma sensação de déjà vu por conta da casa. Nessa transição à nova série, a fórmula de “Belo desastre” está tão presente que é descarada. Em mais de um aspecto, Trent parece ter vivido uma versão estilizada da história do irmão. Fica difícil saber se as similaridades são parte de alguma estratégia (ineficaz) para atrair fãs de Travis e Abby, evocando sentimentos que fizeram deles tão populares, ou se há alguma dificuldade para escrever cenários diferentes para personagens diferentes. Com situações e diálogos gêmeos, além de uma estrutura formada por personagens secundários no mínimo parecida, a experiência se torna inquietante.
Trent pode ser sexy e carismático aos olhos de alguns. Não aos meus. Permita-me destacar que ele é do tipo de pessoa que usa os outros para afirmar seu ponto de vista, faz declarações brilhantes como a de que mulheres não deveriam fumar (homens podem. Ele mesmo fuma), e entra no modo homem das cavernas com facilidade considerável. Quanto a Cami… Bem, ela tem personalidade. É mais fácil aceitá-la do que gostar dela. Suas escolhas erradas são irritantes, embora também humanas. Ela tenta, e lhe dou crédito por isso, mas é outra que não escapa das inconsistências.
Diversas coisas se costuram no decorrer das páginas. Abordagens e acontecimentos que não fazem pleno sentido desde o início passam a ser explicados no fim. Bem no fim mesmo. Enquanto ele não chega, resta notar, por exemplo, quão bagunçada é história de plano de fundo. Há uma série de acontecimentos paralelos e problemas sendo criados e apresentados que não têm propósito, desenvolvimento ou solução. A esperança fica com a revelação final, que pode até surpreender, porém deixa sobrar frustração para o próximo volume.
“Beautiful redemption” tem lançamento nos Estados Unidos previsto para o dia 26 de janeiro. “Bela distração” deixa um ganchinho capaz de despertar curiosidades o bastante para tornar o sucessor atrativo, mas não é exatamente um bom pontapé inicial. Olhando pelo lado bom, ao menos fica mais fácil observar evoluções depois dessa.
Título original: Beautiful Oblivion
Número de páginas: 308
Editora: Verus