“Brilhantes” é o volume que abre a série de mesmo nome. Seu autor é o americano Marcus Sakey, considerado  pelo Chicago Sun-Times o mestre do suspense moderno. As sequências, “A better wolrd” e “Written in fire”, ainda não têm previsão de publicação no Brasil.

A geração dos anos ’80 apresenta uma característica especial. São os nascidos a partir dessa década os conhecidos atualmente “brilhantes”, pessoas de inteligência aguçada vistas pela sociedade com profunda desconfiança.

Apenas um por cento das crianças nascidas desde então passou a apresentar as características mais notáveis já vistas, e Nick Cooper foi uma delas. Hoje um agente responsável pela captura de seus semelhantes, ele os entrega ao governo. Assim, tendo como alvo o terrorista por trás do maior ataque dos últimos tempos, o trabalho de Cooper ganha um novo significado: o poder de impedir o início uma guerra civil, ainda que isso signifique se infiltrar num mundo diferente do que conhece e ir contra tudo que acredita.

Esse era o mundo. O único que eles tinham. Ninguém disse que seria perfeito.

Há muitos dos elementos de “Brilhantes” em outros livros, até filmes e série por aí. Existem semelhanças com inúmeras tramas policiais, de ficção científica e super-heróis. Não é que esse caso seja inovador, mas, um excelente novo produto. O diferencial está na junção e execução do conhecido, embora não escape completamente dos caminhos já trilhados.

Cooper é um ótimo protagonista. Narrado em terceira pessoa, suas angústias, inseguranças, questionamentos e escolhas são apresentados sob um olhar 360°. Estamos falando de um homem capaz de antecipar movimentos e emoções através da leitura da linguagem corporal. No entanto, ser um brilhante não o exime dos dramas de “gente da gente”. Além de superdotado e caçador entre a própria espécia, ele é também amigo, ex-marido, pai, cidadão.

A primeira metade é bem lenta, algo que, apesar de pouco agradável, vale a pena com o desenvolvimento. No fim das contas, não dá para negar a capacidade do livro de sugar o leitor para si. Aliás, chega um momento em que Sakey coloca muito thriller consagrado no chinelo, o que significa que o moço nos ofereceu lá nas primeiras páginas a oportunidade de relembrar o significado da expressão “preparar o terreno”.

Em “Brilhantes”, enquanto digerimos com uma sociedade preconceituosa, terrorismo, ameaça de guerra e verdades ocultas, ainda acompanhamos o crescimento de um protagonista abençoado com ótimos personagens secundários. Nem vamos lembrar que ainda tem mais por vir, pois a tudo indica que a tendência é só melhorar. Simplesmente não tenho condições de pensar nisso agora.

Título original: Brilliance
Número de páginas: 476
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501052742