“Cadê você, Bernadette?” é o segundo livro de Maria Semple, cujo romance de estreia, “This one is mine”, ainda não foi chegou ao Brasil. Antes da publicação de ambos, a autora escreveu para aclamadas séries de televisão como “Mad about you”, “Arrested development” e “Ellen”.

Bee é uma garota inteligente. Após se formar no Ensino Fundamental com excelência, ela vai até os pais cobrar a promessa que lhe fizeram quando entrou na nova escola. Segundo eles, ela poderia escolher o que bem entendesse como presente de formatura se tirasse apenas notas máximas do início ao fim. É claro que Bee já tem um plano: uma viagem de família para a Antártida! O problema está na complicação de ter sua mãe desaparecendo.

Bernadette mal suporta a vida na cidade em que mora com o marido, Elgin, e Bee. O tempo trouxe a essa mulher uma alergia a Seattle e às pessoas de forma geral. Imagine só embarcar  para o extremo sul do planeta! Com seu sumiço poucos dias antes da viagem, Bee se dedica a encontrá-la a todo custo. Assim uma filha reaprende a enxegar a mãe que achava conhecer tão bem.

Mamãe desaparece dois dias antes do Natal sem me dizer nada? Claro que é complicado. Mas só porque é complicado, só porque não há como saber tudo sobre outra pessoa, não quer dizer que não se possa tentar.

“Cadê você, Bernadette?” narra e expõe. Ao utilizar maravilhosamente bem personagens realíticos, enredo e artifícios como, por exemplo, boletins, cartas, e-mails e notas fiscais, o livro nos estimula a participar. Não existe espaço para tédio. Não tem brecha para marasmo. Com essa obra, Maria Semple oferece entretenimento da melhor qualidade.

Não consigo pensar em um único livro que se compare esse. Não porque nenhum seja tão bom quanto, mas por ele ser único. Lê-lo é como encontrar uma pedrinha largada na rua para descobrir depois se tratar de uma pedra preciosa. Até os detalhes aparentemente descartáveis são costurados mais à frente. A aparente simplicidade se converte em profundidade na medida certa.

São vários pontos de vista. O toque racional de Elgin soma ao irônico de Bernadette, que completa o jeito meigo e inteligente de Bee. Com eles cutucamos feridas do politicamente correto, do relacionamento familiar, de até onde conhecemos uns aos outros e muito mais. Ao mesmo tempo, estamos traçando o caminho para a solução do mistério.

Escutem o que eu digo: leiam “Cadê você, Bernadette?”. É divertido, bem elaborado, envolvente. É experimentar para pedir por mais.

Título original: Where’d You Go, Bernadette?
Número de páginas: 372
Editora: Companhia das Letras