“Corra, Abby, corra!” é um dos livros da britânica Jane Costello traduzidos para mais de 16 idiomas. Quarto livro da ex-jornalista, originalmente publicado em 2011, este é seu terceiro livro a chegar ao Brasil. Vieram antes dele, também pela Editora Record, “Damas de honra” e “Quase casados” (leia a resenha).

Os hábitos que regem a vida de Abby Rogers tornam-na o exemplo vivo do que fazer para garantir problemas de saúde num futuro não tão distante. Aos 28 anos, o que ela entende por alimentação equilibrada é consumir apenas um muffin ao invés de dois no café da manhã. Além disso, ser a fundadora de uma empresa lutando para se estabelecer no mercado não ajuda a ter tempo disponível para atividades físicas. Em resumo, Abby ama comer, detesta se exercitar e vive (relativamente) bem com isso.
No entanto, as coisas mudam completamente de figura quando sua funcionária e amiga é diagnosticada com esclerose múltipla. Acontece que Abby já se sentia tentada a entrar num tal clube de corrida desde que conheceu o charmoso, e a insistência de sua melhor amiga para que ela participe somada à possibilidade de arrecadar fundos para a pesquisa da doença de Heidi são determinantes para a decisão que vai mudar sua vida. Agora determinada a correr uma meia maratona, ela deverá se equilibrar entre trabalho, treinos, metas de doações a bater e um homem a conquistar… Apesar de poder estar correndo atrás do cara errado.

Jogo braços e pernas, impelindo-me para a frente num ritmo que nunca pensei ser possível, a menos que eu estivesse sendo perseguida por um batedor de carne. É mais ou menos quando estou perto de um colapso que reduzimos… Reduzimos… e aos poucos me recupero, chegando a um estado vagamento confortável.
Confortável.
Você pode pensar que isso não é nada demais. Algumas pessoas diriam “inebriada”, “dinâmica” ou “cheia de vida”, mas estou satisfeita com confortável. E, francamente, estar confortável nesse contexto é um milagre.

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Jane Costello não decepciona! Livro após livro, suas histórias divertidas e recheadas de carisma voltam a se provar capazes de retratar o cotidiano de formas no mínimo criativamente interessantes. Essa é uma alegria e um alívio. “Corra, Abby, corra”, lido cerca de um anos depois de “Quase casados”, veio confirmar que há um lugar seguro para mim em terra de chick-lit.
Temos em Abby uma protagonista interessante, com altos e baixos, que narra os acontecimentos tão despretensiosamente que fica difícil parar de ler. Contrariando meu melhor treinamento ao longo dos anos de frustração, o romance me reduziu  de volta ao mundo dos shipps de personagens. Quanto aos secundários, basta dizer que são interessantes e essenciais para o bom funcionamento da trama. Pessoalmente, o humor britânico da autora (sutil e sofisticado, embora informal) muito me agrada. Mas, veja bem, a chegada a conclusão semelhante depende da existência de um leitor dotado de boa vontade na outra ponta da equação.
Ainda que os pontos positivos não sejam esmigalhados pelos negativos, não há como negar que o livro é repetitivo, cheio de piadas que recorrem frequentemente aos mesmos artifícios e de bobagens que pedem doses homeopáticas de paciência. A imaturidade dá o ar da graça mais vezes que o recomendado. Quero dizer, Abby e a melhor amiga, Jess, apelidam o interesse romântico da moça de Doutor Sexy (?!?!?!). Deus sabe que levei tempo para absorver esse e outros fatos vergonhosos.
“Corra, Abby, corra” foi claramente escrito para ser leve, divertido e despretensioso. No meio desse pacote, algumas pinceladas de informação sobre a esclerose múltipla, que aflige tantas pessoas pelo mundo. Considerando isso, a experiência é vitoriosa. O objetivo não é nada mais do que entreter, então… Mission Accomplished! Que venha o próximo!
Título original: Girl On The Run
Editora: Record
Número de páginas: 432
ISBN: 9788501097316