“A escolha” fecha a trilogia best-seller “A seleção”, inciada no Brasil em 2012 com livro de título homônimo. “A seleção” e “A elite” contam ainda, além de seu finalizador, com três contos complementares: “O príncipe”, “O guarda” e o recentemente anunciado “The queen” (“A rainha”, em tradução não-oficial). Os dois contos já publicados no exterior foram reunidos e publicados pela Editora Seguinte no livro “Contos da seleção”.
America Singer costumava pertencer a umas das castas mais baixas da sociedade em que vive. Fome, segredos, incerteza e dificuldades faziam parte de sua vida, apesar do conforto de contar com amor e um futuro a ser construído. Sorteada como participante da seleção que trilha o caminho ao trono, à vida de esposa do jovem príncipe Maxon, ela já esteve confusa, dividida, assutada. Mas a situação é diferente agora. America está pronta para lutar pelo destino que escolheu. Resta saber se os ataques rebeldes, a proximidade do ex-namorado ou as oscilações de popularidade na seleção afetarão a grande escolha que mudará o destino de toda Illea.
A seleção já durava meses, e agora finalmente podíamos enxergar os verdadeiros objetivos de cada uma na competição. Agora todas sabíamos qual era a relação das concorrente com Maxon — pelo menos em parte —, e era possível compará-las.
[…] Talvez tudo se resumisse a isso mesmo. Havia um príncipe e quatro garotas, três das quais voltariam para casa com pouco mais que uma história interessante sobre como passaram o outono.
Das 35 garotas que começaram na competição, 4 continuam no páreo. Kiera pode não ter sido completamente feliz ao determinar rumos ou fazer modificações nos personagens , mas já foi um alívio sentir, ainda que tendo de esperar pela chegada do volume final, uma protagonista fortalecida. Se Aspen parece ser forçadamente encaixado ao invés de se encontrar na história e Maxon pouco mudou, pelo menos America amadureceu. Sim, ela irrita. Sim, seus dons artísticos envolvem música, imaturidade e doses de burrice como pouco se vê. No entanto, sua nova postura aponta para um futuro diferente. Deu até gosto de ver!
Quando penso em “A escolha”, só consigo enxergá-lo como uma boa finalização para a trilogia. Nem ótima nem terrível: boa. Um adeuzinho com dignidade. Ele não vai muito longe porque não se aprofunda na própria história, não se aproveita do plano de fundo, dos conflitos. Verdade seja dita, ele flerta com o passado e futuro de Illea, com conspirações, com ataques… Flerta até com certa grandiosidade, ficando apenas nisso. O pior é acompanhar a introdução de fatos interessantíssimos que, infelizmente, ficam soltos por não ter desenvolvimento.
“A escolha” não trouxe muito a acrescentar. Acredito que quem gostou do caminho até aqui vá ficar satisfeito, pois o lado do conto de fadas foi fechado. O “Com quem a America vai ficar?” foi respondido, mas e as outras questões? Isso me faz desejar pelo menos mais um conto, na esperança de que ele venha tapar os buracos. Se era para finalizar assim, fica a minha dúvida sobre a necessidade de escrever três livros ao invés de um bom e único trabalho.
No fim das contas, a trilogia se mostrou muito mais a história de um casal do que de um país ou sociedade. Parece que a intenção era atingir tons “fofoletes”. Okay. Tudo bem. Se tem uma coisa que aprendi com “A seleção” foi entender até onde deixar ir minha expectativa, aprender a lidar com isso e então relaxar e curtir.

Título original: The One
Editora: Seguinte
Número de páginas: 352