“A herdeira” é o quarto livro do universo “A seleção”, criado pela americana Kiera Cass. Inicialmente uma trilogia, a série contará agora com ainda mais um volume, com publicação prevista para 2016.

Houve uma época em que 35 garotas lutaram pela coroa e o coração do príncipe Maxon. Agora, vinte anos desde a seleção que levou America Singer ao trono, as regras estão prestes a mudar. Com a primogênita do casal no centro dos acontecimentos, a primeira seleção em que os rapazes disputam o afeito da herdeira está prestes a acontecer. Pretendentes já começam a se aglomerar no palácio, mas será que replicar as circunstâncias que levaram ao final feliz do de seus pais pode funcionar para a princesa Eadlyn?

Não sei ao certo se acredito em destino. Mas posso dizer que às vezes aquilo que você mais deseja vai cruzar sua porta determinado a te evitar a qualquer custo. E ainda assim, de algum jeito, você descobre que é suficiente para fazê-lo ficar.

Ignorando os spoilers capazes de voltar para assombrar qualquer um que inverta a ordem, venho por meio desta informar a você, leitor, que a leitura de “A herdeira” é absolutamente possível mesmo sem passar antes por “A seleção”, “A elite” e “A escolha”. Apesar da linha do tempo e da existência de personagens comuns, não há nada que impeça um bom aproveitamento por falta de informação. Essa é uma nova história, um produto novo e fechado sobre a mesma Illéa que atrai tantos fãs desde a publicação.
Dito isso, deixando claro meu ponto de vista de quem acompanhou toda a série, continuemos de onde paramos em “A escolha”. A situação do país mudou e melhorou aqui e ali, mas ainda está longe de se resolver. Assim, rei e rainha se veem em tal posição que a criação de uma distração se faz necessária. É assim que Eadlyn, que defende não precisar de um marido, acaba no processo de escolha de um. Não que ela vá aceitar a situação de bom grado, claro. Já há uma série de planos devidamente montados para espantar os selecionados.
Uma dais coisas que mais me motivou a experimentar o livro foi o constante “E agora?” que a existência dele criou. E, bom, ao menos isso foi respondido. Creio que seja interessante para os fãs “conhecer” a nova família real. Rever personagens queridos é quase como reencontrar amigos de infância, portanto aposto na satisfação,  ainda que parcial. Quanto à dita distopia e aos conflitos políticos que poderiam acrescentar à trama… Eles nunca tiveram espaço relevante antes, então a insistência da autora nessa opção não me surpreende. É isso aí, Kiera, eu aceito. Mas sua capacidade de gerar personagens malas ainda é difícil de engolir! Meus problemas com a America foram jogados no mar do esquecimento. Agora é hora de destacar a coroa e dar a Eadlyn uma faixa que represente seu nível de insuportabilidade.
Eita menininha mimada, abusada e egocêntrica. Simplesmente não dá para defender. Ficar preso a uma narradora desagradável torna o que era para ser uma experiência minimamente satisfatória num arrastar de páginas. Ainda que os personagens secundários aliviem a barra, a torcida contra a protagonista foi mais forte. Com uma seleção desinteressante acontecendo, ação abaixo da expectativa e tentativas bem chinfrim de introduzir romance, a coisa toda não ficou fácil ou bonita para ninguém (especialmente para mim).
O maior acerto de “A herdeira” está no estilo fácil e fluido da narrativa. Guardem minhas palavras: se nada der certo, ao menos a leitura é rápida.
Título original: The Heir
Número de páginas: 387
Editora: Seguinte