A americana Amy Harmon ficou conhecida no Brasil através de “Beleza perdida”, publicado em junho de 2015. Infinito Mais Um“Infinito + um” está entre seus oito livros campeões de vendas. Além disso, o título precede o lançamento de outro dois livros da autora com publicação confirmada pela Editora Verus: “A different blue” e “Running barefoot”.
No século passado, um casal roubou seu espaço na história dos Estados Unidos. Bonnie e Clyde eram jovens, inconsequentes e apaixonados em plena era da Grande Depressão. Eles mataram, roubaram, enganaram e fugiram como se não houvesse amanhã até o fim de seus dias. Quase 80 anos da história que até hoje gera tanta controvérsia quanto fascinação, circunstâncias à beira do absurdo unem um novo casal, um novo fascínio, uma nova Bonnie para um novo Clyde.

Bonnie Rae Shelby, rica, famosa, estrela da música, encontra Infinity “Finn” James Clyde quando está cogitando pôr fim à própria vida. Ela é artista; ele, um homem dos números. Enquanto ela coleciona discos de platina, ele tenta deixar para trás as marcas de sua ficha criminal. Os dois não poderiam ser mais diferentes, mas embarcam juntos na viagem cheia de intrigas, burburinhos, perigos e alvoroço que mudará tudo que conhecem. Nessa trajetória, dois completos desconhecidos desvendam tanto a si mesmos quanto uns aos outros repetidamente a cada pequena atitude de cada um dos dias intensos que compartilham.

— Quanto é infinito mais um? — interrompi Katy, fazendo a Finn minha própria pergunta.
— Ainda é infinito — respondeu ele, com um suspiro.
— Errado. É dois.
— Ah, é? Como foi que você chegou a essa conclusão?
— Infinito — disse eu, traduzindo o nome “Infinity” e apontando para Finn. Depois apontei para mim e disse: — Mais um. Ou seja, dois, gênio.

Harmon peca por coisas triviais que, juntas, fazem uma bagunça. A narração é confusa por falta de cuidado nos detalhes. Relevar fica difícil para qualquer leitor atento quando um personagem desaparece num nevoeiro dissipado no mesmo parágrafo e outro emenda uma corrida quando já está correndo. Sério, como assim? Ainda nos exemplos, somos levados a acreditar que os capítulos intercalados entre Bonnie e Clyde permitirem que ambos leiam pensamentos, já que um consegue descrever o que o outro está pensando/sentindo/planejando. Parece poder sobrenatural, mas não é. São só problemas mesmo, daqueles que tendem a ficar mais e mais difíceis de defender.
Estamos falando de um casal que se conhece, cai na estrada minutos depois, se mete em um monte de encrenca e se apaixona antes que você consiga piscar. Estamos falando de uma viagem pelo país com muitos assuntos mal resolvidos na bagagem e encontros esquisitos no caminho, mas pouco a apresentar no final. As soluções para as maiores encrencas são jogadas ao vento. Até o suposto crescimento dos personagens parece superficial.
Bonnie é uma protagonista difícil de encarar. Apesar dos 21 anos, ela poderia passar por qualquer garota de 13 anos. Finn começa bem, o que nesse caso quer dizer que ao menos fazia jus à idade, mas o tempo com Bonnie não lhe fez nenhum favor nesse aspecto. Cheguei ao ponto de me perguntar onde estavam os adultos nessa história. Porque, né, cadê a voz da razão quando se precisa?

Assuntos sérios e merecedores de desenvolvimento como doenças são tratados levianamente. Existem tantas coincidências, tantas tramoias do destino que as situações deixam de ser interessantes. As frases de efeito são companheiras tão frequentes que chega a ser enlouquecedor. Quando nos aproximamos do fim, então, cada parágrafo é mergulho em divagações piegas.

“Infinito + um” é o tipo de livro bem pontual. Vai funcionar para os que gostam do estilo sonhador, romântico etc? Ora, provavelmente. Assim, só o que posso desejar é uma melhor sorte.


Título original:
Infinity + One


Número de páginas:
 336


Editora:
Verus


ISBN:
 9788576864424