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[Resenha] O Feitiço Azul (Bloodlines #3) — Richelle Mead

“O feitiço azul” marca a metade do caminho no total de 6 volumes da saga “Bloodlines”, spin-off da série best-seller “Academia de vampiros”. É obra da americana Richelle Mead, autora tanto de livros para jovens como esse como de títulos para adultos, a exemplo de “Tabuleiro dos deuses”.

Nesse livro, a missão da Sidney Sage, que nunca foi exatamente simples, não poderia estar mais longe de ser facilitada. Como alquimista, ela sempre esteve ciente da existência dos vampiros, às vezes até chegando a fazer contato direto com eles. Era de se esperar ter de aprender a lidar à distância com criaturas às quais sempre lhe ensinaram a repudiar, mas ser enviada por tempo indefinido com um grupo deles para o deserto é outra história.

Parte do trabalho dos alquimistas é encobrir os rastros da existência de seres sobrenaturais. Por isso a partida de Sydney é tão importante, visto que ela deve ajudar a proteger Jill, peça-chave no universo da realeza vampírica. No tempo infiltrada, como se não bastasse já ter tido de lidar com conspirações políticas e um esquema de tráfico de sangue, agora há uma poderosa bruxa à solta ameaçando extrair sua juventude e um poder com o qual ela mal sabe o que fazer. Enquanto lida com os questionamentos sobre seus conceitos há muito arraigados — se formar laços de amizade com vampiros já é um absurdo aos olhos de seu povo, imagine cogitar se envolver romanticamente com um deles! —, Sydney  precisará andar em corda bamba para deter a bruxa antes que ela machuque mais garotas, lidar com um ex-alquimista misterioso e decidir o que fazer com os sentimentos pelo audacioso Adrian Ivashkov sem prejudicar a missão.

— Vou conseguir um tutor pra você.
Ela franziu a testa.
— Por que não pode ser você? Você é inteligente. É boa em matemática.
Por que eu não podia? Bom, primeiro porque tinha que impedir uma feiticeira do mal de sugar a juventude e o poder de garotas inocentes. Depois, precisava descobrir os segredos e as mentiras que a organização da qual eu fazia parte desde que tinha nascido estava me contando.
Em vez disso, respondi:
— Ando meio ocupada.

É interessante observar as escolhas que conduzem ao progresso nessa saga. O processo pode parecer lento, já que é  de livro em livro que o amadurecimento da trama e dos personagens fica nítido, mas os detalhes dos sinais que apontam as mudanças estão presentes, sempre prometendo, garantindo que a mudança final não soe superficial. “Laços de sangue” é introdutório, funciona como o portal de conexão entre duas sagas que conversam entre si, enquanto “O lírio dourado” acrescenta ação, mistério e mais romance, deixando como únicas opções para “O feitiço azul” continuar com o aperfeiçoamento ou decepcionar. Felizmente, estamos mais próximos do primeiro caso.

Richelle não deixa a desejar com ambientalização, informação, reviravoltas e surpresas. Todos os acontecimentos, todos os “porquês”, “como” e “quando” são importantes, claro. Porém, nada cativa mais do que os personagens. O plano de fundo envolve, mas o desenrolar não é nada de outro mundo de tão magnífico. O segredo está no Adrian com seu charme natural, na Sydney amadurecendo inclusive na narração, nos personagens secundários encontrando seu caminho. Está nos diálogos divertidos, nos momentos fofos e no romance. Sendo isso somado a um pouco de adrenalina, sai o que faz desse livro o que ele é: viciante.

Bom, pense o que quiser. Mas saiba que, por mais que as coisas pareçam normais entre a gente, eu ainda estarei aqui, apaixonado por você, e vou me importar mais com você do que qualquer outro cara, seja ele maligno ou não.

Para completar, “O feitiço azul” é motivo de festa para qualquer um que tenha lido “Academia de vampiros”. Tem várias aparições de personagens queridos, eventos bacanas envolvendo eles e, claro, um desfecho esperançoso para personagens que pelo qual muitos fãs já vêm torcendo faz tempo.

O quarto volume, “Coração ardente”, será lançado na Bienal do Livro de São Paulo deste ano. Palavra de quem já leu em inglês: é maravilhoso. De longe o meu favorito de todos os publicados até agora. Os dois últimos chegam ao Brasil em 2015.

Título original: The Indigo Spell
Número de páginas: 400
Editora: Seguinte

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