“O jantar” é o sexto romance de Herman Koch, colunista de jornal, escritor e ator holandês. Publicado originalmente em 2009, já foi traduzido para 21 idiomas, inspirou um filme e ganhou, ainda no mesmo ano de lançamento, o prestigiado prêmio holandês Publieksprijs.
Num restaurante chic da cidade, os Lohman se encontram falar sobre seus filhos. O que poderia ser erroneamente interpretado como uma conversa banal graças ao início da noite esconde as verdadeiras faces dos irmãos Paul e Serge Lohman, ali acompanhados das esposas. Com a aproximação do prato principal, a conversa finalmente abandona observações sobre clima, cinema etc. para ganhar tons que mostram a importância do tema, do futuro dos adolescentes e do algo grave que eles fizeram. No fim das contras, até que ponto os pais são responsáveis pelas atitudes dos filhos?

Se eu tivesse que dar uma definição de felicidade, seria esta: a felicidade não precisa de nada além dela mesma, não precisa ser sancionada. “Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira” é a frase de abertura de Anna Karerina, de Tolstói. A única coisa que eu poderia querer acrescentar a isso é que famílias infelizes — e, entre famílias, em especial o marido e a mulher infelizes — nunca são infelizes sozinhas. Quanto mais pessoas para comprovar, melhor. A infelicidade adora companhia.

“O jantar” é um livro de aparente simplicidade, porém de deliciosa grandiosidade. É um thriller psicológico de primeira, que mexe com sua confiança no narrador e nos fatos, te influencia, joga com seus sentimentos, intriga desde o início. Herman trabalha de forma a te prender por dois pontos de apoio infalíveis: curiosidade e qualidade de narrativa.
Durante essa leitura, até se tem permissão para supor, mas a surpresa ainda assim traçará um caminho até você. Toda a história é costurada com precisão, não te deixando depois da última página, pois mesmo então você continuará pensando nas relações humanas, seus limites, suas motivações. Os personagens aqui vão te provocar aí, e você não conseguirá se livrar da inquietação ou do ímpeto de analisar nossa natureza.
Meu coração de leitora deseja a leitura desse livro a todos. Que me perdoem o trocadilho, mas “O jantar” é um verdadeiro prato cheio.
Título original: Het Diner
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 256