Publicado num primeiro momento pela Editora Rocco, “A viajante do tempo”, primeiro volume da saga Outlander, inicia a volta da saga ao mercando com republicação pelas mãos da Saída de Emergência, especializada em literatura fantástica. O segundo livro, “Libélula no âmbar”, foi publicado em novembro de 2014. O terceiro está previsto para o primeiro semestre de 2015.
No ano de 1945, Claire é uma enfermeira inglesa familiarizada com imposta pela Segunda Guerra Mundial. O fim dos confrontos, porém, torna possível a partida para uma segunda lua de mel com o marido do qual esteve distante durante anos. O lugar escolhido tem tudo para ser provar mágico, inspirador e misterioso…. Mas que mistérios, afinal, envolvem o círculo de pedras onde pessoas se reúnem para a realizar rituais? Intrigada com a primeira visita, Claire então decide voltar sozinha lá, resultando no fim da viagem programada e início da uma aventura em outro tempo. Mais uma vez longe do lar e de Frank, eis que ela se descobre em 1743.

Agora no que é praticamente um outro mundo, perigos, intrigas e desafios vêm de todos os cantos. E, enquanto tenta descobrir como voltar para casa, Claire precisará lidar com toda a cultura escocesa da época, inimigos poderosos e a ameaça de ser tomada pelo desejo por Jamie, o guerreiro capaz de fazê-la duvidar da própria capacidade de se manter fiel ao votos do casamento.

Eu sou o seu senhor. E você é minha senhora. Não posso possuir sua alma sem perder a minha.

“A viajante do tempo” é intenso. Para o bem ou para mal, ele é capaz de conduzir as emoções dos leitores ao extremo. Há muito nele a se destacar. Exatamente o que depende tanto do seu ponto de vista quanto do seu processo de a absorção do conteúdo.

Diana Gabaldon escreve bem. Ela consegue, de forma geral, prender nosso interesse, ainda que erre na mão pelo caminho. Sua obra salta aos olhos em momentos específicos, mas a falta de foco, a insistência em bater na mesma tecla e os furos na elaboração e encaixe dos acontecimentos diminuem a eficácia do produto final.

Claire, ao invés de proativa, é uma protagonista que segue conforme a música. Ela mesma confere pouco movimento à história, sendo jogada de um acontecimento importante a outro, sendo poupada de decisões críticas com a aparição de complicações convenientes com soluções mais convenientes ainda. Seus sentimentos não passam verdade. O que ela diz e o que ela pensa não necessariamente combinam com suas atitudes. E, sim, para coroar ela é a narradora.

Os questionamentos e choques de realidade vão sendo esquecidos com o passar das páginas. É como uma roupa que desbota em água sanitária: desastroso pela perda, embora previsível depois dos primeiros sinais. Claire não se coloca, se adapta como massa de modelar até mesmo a questões críticas de violência doméstica naturalizada. Essa, aliás, foi uma das coisas que não desceram por mais que eu entenda o funcionamento da cultura da época. Uma mulher de 1945 não é igual às de 1743. O conflito gerado a partir daí tem prazo de validade curto demais para ser validado. Incomoda-me a abordagem desse e outros temas pesados, assim como me incomoda a adoração que Jamie parece despertar. O problema não está em abordar os assuntos, mas em como fazer isso sem deixa-los soar repetitivos, desajeitados ou crus.

Caminhamos, caminhamos, caminhamos e parecemos não conseguir escapar do mesmo ciclo de becos sem saída, confrontos com o vilão e ameaças de estupro. Entre uma coisa e outra, muito sexo e capítulos cujo objetivo parece ser engrossar o livro. “Outlander: A viajante do tempo” está mais para um romance histórico que utiliza tudo que poderia torná-lo uma grande obra de fantasia, incluindo a viagem no tempo, como desculpa para que os personagens se encontrem e vivam um grande amor (Zzzzz….). Reza a lenda que a série de TV é ótima, modificada em pontos estratégicos certeiros. Bom para eles. Bom para quem ainda pretende acompanhar.

Título original: Outlander
Editora: Saída de Emergência
Número de páginas: 800