Resenha do livro Perto o Bastante para Tocar, de Coo

“Perto o bastante para tocar”, publicado pela Bertrand Brasil em 2017

Delizadeza e sensibilidade têm se mostrado marcas registradas da jornalista e escritora Colleen Oakley. Além de “Perto o bastante para tocar”, a autora também é responsável pelo livro “Antes de partir”, escolhido como melhor escolha de leitura pela People Magazine em 2015. Ambos são publicados por aqui pela Editora Bertrand Brasil

Este é o momento de conhecer Jubilee Jenkins, a quem você pode ver, mas não tocar. Se uma vida de solidão não é fácil para as pessoas em geral, pode ser ainda mais cruel para uma mulher jovem e diagnosticada com alergia ao toque humano. Assim, por quase dez anos, o que deveria ser um lar vira tanto refúgio quanto prisão. O mundo do lado de fora é perigoso demais, imprevisível demais…. Até que sua mãe morre e, sem dinheiro, Jubilee precisa sair de casa para se arriscar entre as possibilidades e as maravilhas que acompanham os outros do lado de fora.

Enquanto isso, Eric Keegan tem os próprios problemas. Talvez a mudança de cidade seja uma coisa boa, afinal, já que o casamento fracassou, a filha não fala com ele e o filho é uma criança incrivelmente brilhante, mas problemática. Então, quando conhece a misteriosa bibliotecária local, tudo o que ele quer é descobrir como colocar as coisas de volta no lugar para se tornar o quem precisa desesperadamente ser. Só que tudo muda quando seus destinos se encontram e os dois encaram a mesma questão: é possível sentir falta de algo que você nunca teve?

Livro Perto o Bastante Para Tocar, de Colleen Oakley

Título Original: Close Enough to Touch

Número de páginas: 350

Editora: Bertrand Brasil

ISBN: 9788528622157

Romance Contemporâneo

Oakley conseguiu transformar a improbabilidade de uma condição médica rara no retrato da dificuldade de encontrar o próprio lugar no mundo. A abordagem de “Perto o bastante para tocar” propõe enxergar o que é o amor e as expectativas que ele desperta sob um olhar maduro, através de personagens extremamente bem construídas.

Com capítulos que intercalam entre os pontos de vista de Eric e Jubilee, acompanhamos páginas igualmente divertidas e profundas. Vemos como eles se descobrem durante a construção de uma amizade muito bonita. O fato de não saberem exatamente como contornar os obstáculos só serve ao propósito de torná-los ainda mais reais.

No fundo, estamos todos no escuro. O que este livro faz tão bem é nos lembrar disso em um romance que não nos faz perder a esperança entre as pequenas batalhas do dia a dia.

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Ao sair da casa de Jubilee, percebo que o que ela deveria ter dito é: “relacionamentos têm tudo a ver com tempo”. Porque o amor — ele aparecerá quando você menos esperar, quando você não estiver procurando por ele, no meio da biblioteca de uma cidadezinha com uma mulher de cabelo rebelde usando uma camisola.

Crescimento Pessoal

Outro ponto forte da história é o plot de saída zona de conforto. Aliás, na escolha de um destaque, sem dúvidas seria esse. Não apenas os protagonista, mas basicamente todos estão em diferentes níveis do processo de conhecer, entender e aceitar a si mesmo sem acomodação. Nem os mais novos ficam de fora.

Um dos tópicos mais interessantes, por exemplo, é a relação do Eric com os filhos. A busca pela afeição de Ellie ou a forma como Aja chegou até ele são questões enriquecedoras. Cada elemento escolhido a dedo eleva a trama.

“Perto o bastante para tocar” é para rir, chorar, não largar mais. É incrível como a narrativa fluida seduz com facilidade. No fim, a notícia boa é que sempre dá para recomeçar.