“A queda dos anjos” é o primeiro volume da trilogia “Fim dos dias”, cujos títulos já foram publicados em mais de A queda dos anjosvinte idiomas. Quem reponde pelo sucesso é a americana Susan Ee, advogada por formação que se tornou autora best-seller ainda no lançamento do primeiro volume.
Penryn Yong até poderia ter alguma chance de ser uma adolescente relativamente normal se a vida colaborasse e continuasse nos trilhos. Ao invés disso, o mundo virou de cabeça para baixo em poucas semanas. E não estamos falando aqui de corações partidos ou sequer baldes de sangue derramados em bailes. Esqueça o passado; era tudo brincadeira de criança. Atualmente, a humanidade precisa aprender a lidar com os anjos que invadiram a Terra, deixando rastros de destruição pelo caminho.
Raffe faz parte do time inimigo. É a primeira coisa a manter em mente. Apesar da aparência perturbadoramente humana, ele não deixa de ser um anjo. Após ser resgatado ferido por uma Penryn disposta a qualquer coisa para salvar a família, eles partem juntos numa jornada de sobrevivência. Obstáculos não faltarão, mas se Penryn tem uma certeza é a de que não parará até recuperar o que lhe foi tirado.
Eu gostaria de saber o que vai te matar mais rápido: a lealdade ou a teimosia.
Nesse livro, Susan Ee convida o leitor a uma viagem pela versão pós-apocalíptica do nosso planeta. O ritmo é intenso, com acontecimentos que emendam um no outro e favorecem a ação e a dinamicidade. A maior das garantias vinculadas à experiência dessa leitura é a empolgação.
Entretanto, nem tudo é perfeito. Embora “A queda dos anjos” tenha potencial o bastante para prender a atenção, não se aprofunda o suficiente para escapar do fantasma da superficialidade que assombra tantos livros. Os personagens são meramente bons, se mostram agentes “ok” no desenvolvimento da trama e têm um crescimento pessoal pequeno.
Raffe é o protagonista clássico do gênero: calado, misterioso, lindo e com senso de humor sombrio/dado ao sarcasmo. Simplesmente cansativo. E Penryn? Nem sabemos muito sobre ela. Não realmente. As descrições pobres sobre a garota nos põem na mesma trilha de sempre, com garotas que parecem ter sempre a mesma idade, altura, etnia… A única coisa mais óbvia do que o dois separados são os dois juntos.
A premissa não é a mais original do mundo. Centenas de YA’s chegam perto da proposta-base desse, dos sobrenaturais aos distópicos. Consigo pensar em pelo menos quinze títulos sem precisar de qualquer esforço. Assim, na falta de um equilíbrio entre o garantido e o inovador, o perigo trazido pela proximidade da área cinzenta do Mais do Mesmo é frequente.
Outras contas que simplesmente não batem estão pelo caminho, como carros abandonados que, além de encontrados “ao acaso”, pegam de primeira e cronometragens de horários de fuga quando ninguém tem sequer um relógio (???).
Se “A queda dos anjos” parece difícil de defender é porque é mesmo. Tenho minhas dúvidas sobre a capacidade da trilogia de se manter apenas com bons momentos de emoção.
Título original: Angelfall
Número de páginas: 279
Editora: Verus
ISBN: 9788576863786