Deslembrança
é o livro de estreia de Cat Patrick e, ainda que não por muito tempo, também o
único. Originalmente publicado em 2011 e recebendo muitos elogios da crítica,
está sendo traduzido para 21 línguas e teve os direitos para uma adaptação cinematográfica
comprados pela Paramont.
Em um mundo
normal, com pessoas normais, vidinhas comuns e rotinas normais, vive London
Lane, uma garota que não salva o mundo, não tem superpoderes e, infelizmente,
não é normal. Aos 16 anos, sempre às 4h33min, sua memória é apagada e tudo que
ela tem são as memórias… do futuro. Memórias essas que estarão com ela apenas
até que o dia em que se realizarão chegue. Mas, ah, claro, ela tem algumas
anotações dos dias anteriores que são de grande ajuda na hora de saber quem ela
conheceu, quem morreu, que roupa vestir, quem é aquele novo garoto na escola… Espere,
ela não sabe quem é o novo garoto. Como
é o nome dele mesmo? Lucas? Ah, sim, Luke. Como London poderia esquecer Luke
Henry? Luke, que não aparece em suas memórias e, portanto, não deve estar em
seu futuro. Luke, Luke Henry, o garoto que pode mudar tudo.
Apesar de
sua situação, London não enfrenta grandes problemas. Mesmo incapaz de
lembrar-se do que aconteceu no dia anterior, reconhece coisas básicas como a si
mesma com o passar do tempo, a escola, os professores, Jamie, sua melhor amiga,
e a mãe, uma vez que fazem parte de seu futuro. Muita coisa é perdida, sendo
importante ou não, mas ela consegue saber o que está acontecendo no presente
com a ajuda de Jamie e de sua mãe, que são as únicas que sabem do seu “probleminha”,
além de usar as lembranças do futuro para se localizar. Ela não tem crises, está acostumada a viver com o que tem, mas ainda tem que tentar entender a estranha lembrança do enterro de alguém que ainda não consegue saber quem é.
Ainda acho
que escrever sobre perda de memória, ainda mais desta forma, requer muito
cuidado. Em Deslembrança, pelo menos inicialmente, pode ser que nem tudo seja muito convincente. Por mais que a autora tenha tentado explicar a rotina
da personagem, sempre fica uma pergunta a ser respondida, sempre resta uma ponta
solta. É estranho ver, através dos olhos dela, coisas importantes sumirem e,
principalmente, sentimentos e relacionamentos se manterem e evoluírem. Apenas quando
tinha avançado com a leitura foi que percebi que London simplesmente confiava
em si mesma ao ponto de acreditar piamente em suas palavras. A vida segue
normalmente se ela deixa de anotar algo como o fato de estar apaixonada ou ter
brigado com alguém, mas, por outro lado, se coisas assim constam nos bilhetes,
é como se estivessem apenas continuando e não começando novamente. Por mais que
eu tenha tido a impressão de que seus sentimentos estão lá, em algum lugar,
mesmo que ela os tenha esquecido, não diminui o fato de que, tendo que recomeçar todos os dias, continuei achando que nada novo poderia ser muito profundo, a não ser que ela tivesse lembranças do futuro.
O livro é
pequeno e a autora não fica dando muitas voltas, o que, para mim, só o tornou melhor. Ele é simples e tem capítulos curtos
e objetivos, que nunca perdem o toque de doçura. Aliás, doçura essa que pode
ser atribuída em grande parte ao relacionamento entre London e Luke, a quem ela
conhece de seus bilhetes e por quem se apaixona novamente (e talvez até mais)
todos os dias. Tem ainda pequenas doses de mistério e de drama, mas em nenhum
momento fica pesado, muito pelo contrário. A leitura começou num instante e, pronto, já tinha acabado antes que tivesse chance de notar. Eu diria que ele é bonito sem ser lindo, diferente
sem ser inovador, bom sem ser maravilhoso.

Título original: Forgotten

Editora: Intrínseca

Número de páginas: 256

ISBN: 9788580571622