A vida de leitor é bonita. A gente cresce, amadurece, evolui… Tudo no espaço entre uma página e outra. Assim, deixamos uma trilha pelo caminho. Construímos nossa história entre as histórias que consumimos. Para um leitor, cada encontro literário feliz é como reafirmar um amor antigo.

Bem, é assim para mim. Sou geração Harry Potter; cresci num mundo de magia. Os livros fazem parte da minha história, da minha personalidade. Mas estou aqui para falar de experiências marcantes, então será preciso avançar alguns anos. Este post foi inspirado num dos encontros que, além de ter marcado meu ano, me fez refletir sobre o caminho até aqui. A responsável tem nome e sobrenome: Meg Cabot. Ou, num mundo paralelo, Rainha da Minha Adolescência.

Eu me lembro de passar horas dentro de uma livraria e sair com “A garota americana”, “Sorte ou azar” e muitos, muitos outros títulos da Meg. Devorei todos os livros dela publicados até então em questão de meses. Descobri o que era acompanhar (e sofrer por) um série com “A mediadora”. Na época dos 13 anos, essa autora de mil pseudônimos chegou para apresentar protagonistas fortes que me influenciaram em durante meu grande processo de autodescoberta. Foi através de um grupo de garotas donas da própria história que eu também quis ser uma. Foi graças à identificação com personagens independentes que eu me vi assim pela primeira vez. Com a história da Suze, cheia de discussões sobre família, amor e protagonismo feminino, fui mais marcada do que por muita experiência “real”.A Meg voltou ao Brasil em outubro deste ano, seis anos depois da minha tentativa frustrada de conhecê-la na Bienal do Rio de 2009. É claro que isso significou um encontro numa fase completamente diferente. Com a rotina que tenho hoje (faculdade, estágio, responsabilidades em casa), nem tinha sabia se conseguiria uma senha para a sessão de autógrafos. Mas, olha, foi uma loucura! Colecionei mil histórias para contar. Madruguei, fiz viagens entre o shopping e minha casa pelo menos três vezes, mas consegui. Consegui!

Agora que o fim do 2015 bate à porta e o balanço de melhores momentos começa, a vontade de escrever sobre o assunto falou mais alto. Saí de casa brincando que ia soltar um “Meg, autografa minha adolescência!”, mas acabei mesmo foi abrindo o coração. Aquela foi a noite em que uma das minhas maiores influenciadoras pausou tudo o que estava fazendo para me ouvir dizer como mudou minha vida. Depois? Ah, depois ela ainda finalizou o momento pedindo um abraço. E embora hoje minha relação com a literatura tenha mudado, tantos anos tenham se passado e meus autores favoritos já não sejam os mesmos, a sensação foi de missão cumprida.