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[Resenha] As Virgens Suicidas — Jeffrey Eugenides

Um clássico da literatura contemporânea, As Virgens Suicidas é o livro que deu origem ao cultuado filme homônimo de Sofia Coppola. Publicado pela primeira vez em 1993 e traduzido em mais de 34 idiomas, essa não é, como deve ser de se imaginar, a única obra bem-sucedida de Jeffrey Eugenides. Também fazem parte do legado do autor A Trama do Casamento (2011), publicado no Brasil pela Companhia das Letras, e Middlesex (2002), vencedor do prêmio Pulitzer.
Numa família do subúrbio dos Estados Unidos dos anos 1970, cinco irmãs adolescentes cometem suicídio. Cecilia, Lux, Mary, Bonnie, e Therese Lisbon foram criadas sob um teto com regras rígidas e pais religiosos e atentos. Aparentemente, não há motivo para claro que explique o acontecido. Mesmo anos e anos depois, as garotas Lisbon ainda são um mistério para a comunidade local, especialmente para os meninos que as conheceram, agora homens feitos. Homens que agora relatam, com o apoio de imagens, depoimentos etc., as nuances as virgens suicidas que tiveram  oportunidade de conhecer.

O que temos aqui, basicamente, é uma sonhadora. Alguém que perdeu o contato com a realidade. Quando ela pulou, pensou que provavelmente voaria.

O mais difícil de fazer em se tratando desse livro foi separar toda a minha questão pessoal da visão mais distanciada ou técnica, por assim dizer. Não, eu não tenho problemas com a temática de suicídio. Não, eu não tenho problemas com temas ligados à morte de qualquer maneira (quem lê o blog e me conhece um tiquinho que seja sabe). O que eu quero dizer exatamente? Que As Virgens Suicidas é cult, é intenso, é lindo… E não é para mim. Ao menos não no momento em que se deu nosso encontro; e demorou um pouco até que eu entendesse e superasse isso.

Com sua narrativa loucamente descritiva, seu amontoado de meias respostas e ritmo ora lento, ora estimulante, toda a complexidade do livro se mostra claramente quando a atenção é direcionada para seu caráter humano. Todo o seu mérito está no tratar da sociedade da época que, aliás, pouco mudou de lá para cá. Acredito que não seria exagero dizer que os demais pontos positivos são desdobramentos dessa característica belamente explorada.

Perguntas como quem eram ou como eram as jovens Lisbon não são completamente respondidas, e isso é bom. Muito, muito bom. O autor se manteve fiel aos narradores que de forma alguma poderiam conhecer plenamente as garotas (nem elas próprias se conheciam tão bem), usando isso para plantar uma espécie de sementinha da reflexão na mente do leitor. O bom crescimento da “semente” vai depender da disposição de cada um.

Foi necessário abrir mão da enorme vontade de simplesmente amar a leitura para finalmente conseguir enxergar do que ela se tratava. Resultado: uma experiência muito mais distante do que eu poderia desejar. O lado bom é que sou capaz de perceber a grandeza do que estava à minha frente, mas o ruim é que não posso trazê-lo para perto. As Virgens Suicidas, para mim, é como um breve toque de dedos quando o que eu desejava era um total arrebatamento de sentidos.

Título original: The Virgin Suicides
Editora: Cia das Letras
Número de páginas: 231
ISBN: 9788535922196

1 Comentário

  • Olavo Cândido
    10 de julho de 2013 at 01:23

    Conheço e gosto muito do filme. Primeira vez que leio uma resenha do livro, nunca tive espécie nenhuma de contato antes. Gostei de suas considerações, pretendo considerá-las.

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