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[Resenha] A Curiosidade — Stephen P. Kiernan

“A curiosidade” é o primeiro romance do jornalista Stephen P. Kiernan, que nos vinte anos de carreira recebeu entre prêmios como o Prêmio de Liberdade de Informação do Brechner Center, o Prêmio Scripps Howard por Contribuições Notáveis à Primeira Emenda e o Prêmio George Polk. No total são quarenta.
Na vida podem acontecer milhares de coisas inesperadas, entre elas encontrar um corpo de um homem enterrado no gelo do oceano Ártico. É isso que a cientista Kate Philo descobre em primeira mão. Mas depois de seguir ordens para levar o homem misterioso para reanimação em laboratório fica claro que as surpresas não terminaram, afinal ele acaba sendo nada menos que Jeremiah Rice, cuja última lembrança é de  1906.
Com ameaças longe de se afastarem, Kate e Jeremiah se envolvem até que se torna impossível evitar que sentimentos no mínimo inconvenientes nasçam. No fim das contas, até onde Kate estará disposta a chegar por amor?

— […] Há muito que aproveitar e aprender no aqui e agora, mas estou acostumado a uma existência menos ornamental.
— O que você quer dizer com isso?
— Eu gostaria de ser mais do que uma curiosidade. Esta segunda vida me trouxe uma oportunidade, e talvez um imperativo, de servir a um propósito maior.

Pág. 204
Intercalando pontos de vista e abordagens a cada capítulo, “A curiosidade” une romance a ficção científica como ervilha e purê de batatas num mesmo prato: coexistem, são digeridos juntos, mas não se tocam. É uma estratégia válida, diria até ousada, e funciona relativamente bem. Claro, poderia ter sido melhor se não resultasse numa espécie de chick-lit com influências sci-fi mais do que qualquer outra coisa.

O mais problema a assolar o livro são os clichês. Personagens de peso como a mocinha e o vilão, que por sinal beira o caricato, sofrem desse mal. Sobre Jeremiah, então, vamos dizer que chega um ponto em que simplesmente fica mais fácil fingir que ele não esteve sendo congelado e descongelado por aí. O objetivo dessa negação é nobre: evitar aborrecimentos. Com bastante boa vontade você desapega da esperança de que  haja equilíbrio entre drama, romance, ciência e mistério. Deixo registrado aqui o meu “Boa sorte!”. Ah, e um “Quem dera tudo fosse como nas últimas páginas”.

“A curiosidade” é interessante, mas seu poder de sustentação é comprometido pela falha nos personagens e pelas questões deixadas em aberto. Desse jeito não há sequer questionamento social bem feito que salve. Não ficando na casa do “bacana”, pelo menos. Esse é um livro agradável, sim, mas que poderia ser memorável. Não é.

Título original: The Curiosity
Número de páginas: 392
Editora: Verus
ISBN: 9788576863083

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