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[Resenha] Um Milhão de Motivos Para Casar — Gemma Townley

Primeiro volume da trilogia “Jessica Wild”, “1 milhão de motivos para casar” é mais um dos títulos de Gemma Townley a chegar ao Brasil. Irmã da autora best-seller Sophie Kinsella, Gemma divide com ela a mesma casa editorial por aqui. Também constam no catálogo da Editora Record “Curvas de aprendiz”, “Quando em roma…”, “Manual para românticas incorrigíveis” e “Mentirinhas inocentes”.
Existem muitas formas de enriquecer de um dia para o outro. Ganhar na loteria, por exemplo, é uma delas. No caso de Jessica Wild, o que muda completamente sua perspectiva é a herança de quatro milhões de libras destinada a ela após a morte de uma amiga. Grace foi muito gerenerosa, é claro. Sempre foi. E a herança viria muito a calhar, se não fosse o detalhe de beneficiar uma pessoa que não existe.
Acontece que Jess andou contando algumas mentirinhas para Grace. Em algum momento dos questionamentos sobre sua vida amorosa surgiu um marido imaginário. Que por acaso é o bem sucedido empresário Anthony Milton. Que, por sinal, é o chefe de Jess. Agora num beco sem saída – afinal, o dinheiro foi deixado para Jessica Milton -, ela tem cinquenta dias para dar um jeito na situação sem que ninguém além da melhor amiga note. A solução é óbvia: tornar o casamento fictício real.

[…] esse é o problema dos contos de fadas – eles acalentam o coração, são reconfortantes e tem finais felizes, e mesmo você sabendo que a vida não é assim, é agradável fingir que aquilo é real, só um pouquinho.

Com uma premissa como assim, a primeira coisa da qual você precisa abrir mão antes de começar a leitura é uma coisinha chamada lógica. Afinal, em que mundo paralelo você decide seduzir e casar com um quase desconhecido em pouco mais de um mês? Fazendo isso parecer absolutamente plausível, claro. No mínimo, lógico no nível torto que apenas uma comédia consegue alcançar.
No entanto, o que Gemma Townley atinge nesse livro vai além do simples louco. A flecha mirada no “escrachado” errou feio o alvo, e o prêmio de consolação foi o combo do desastre: confusão, irrealidade e inconsistência. Chegou um momento em que a situação geral dos acontecimentos ficou constrangedora para o meu lado. Avalie.
Culpo a protagonista. Jess é uma mulher adulta que não sabe o que quer, quando quer, muito menos por que quer. Vivi experiências profundas de pena, irritação e incredulidade com a personagem. Tenho 387 páginas para provar que nem ela mesma descobriu ainda quem é, então, sinceramente, me absolvo da missão de compreendê-la. Porém, dado o fato de que suas decisões regem o andamento do livro, o que sobra? Uma derrocada que nem ao menos posso dizer ter sido lenta.
Os acontecimentos não se encaixam. Os personagens ficam entre o irreal e o caricato. A autora dá tantas voltas sem sair do lugar que eu já estava cansada antes da metade. Qualquer tentativa de piada foi massacrada por tons, timmings e abordagens equivocadas. Não tenho coragem sequer de imaginar o que pode ser dos outros dois pobres volumes da trilogia.
Título original: The Importance of Being Married
Editora: Record
Número de páginas: 397
ISBN: 9788501400482

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