Imagem do livro Novembro 9, de Colleen Hoover fotografado para o blog Último Romance

(Foto: Kimberlly de Moraes)

Faz algum tempo que o nome de Collen Hoover se tornou referência quando se fala em New Adults. Conhecida por ser autora de livros como “Talvez um dia”, “O lado feio do amor”, “Um caso perdido” e “Métrica”, Hoover é publicada no Brasil pela Galera Record desde 2013. Entre seus outros trabalhos estão “Confess”, “Too late” e “It ends with us”, cujas edições estrangeiras já passam dos mais de dez idiomas.

Em “Novembro 9”, Fallon O’Neil está prestes a se mudar para o outro lado do país em busca do sonho de se tornar atriz. Não importa o quanto um pai reconhecido na mesma área possa taxar a decisão como perda de tempo. Não importa que as marcas físicas e mentais deixadas pelo passado ainda não tenham ficado totalmente para trás. Fallon está determinada a dizer adeus a Los Angeles rumo a Nova York.

Mas muita coisa pode acontecer nas horas que antecedem uma grande viagem. Conhecer um aspirante a escritor é uma delas. Sentir uma conexão profunda com ele em menos de 24h é outra. Assim, quando o tempo com Benton James Kessler termina e chega a hora de partir, Fallon deixa mais do que uma cidade, amigos e família para trás. Ao compartilhar de sua história, ela dá a Ben a inspiração para começar o novo livro. E, antes do fim do dia, a despedida vira até logo quando eles combinam de se encontrar anualmente, sempre na mesma data, durante os novembros que estão por vir.

— Uma coisa que sempre tento lembrar a mim mesma é que todo mundo tem cicatrizes — diz ela. — Muita gente tem umas ainda piores do que as minhas. A única diferença é que as minhas são visíveis e a da maioria das pessoas, não. (página 76)

Título Original: November, 9

Número de páginas: 352

Editora: Galera Record

ISBN: 9788501076250

 

 

“Novembro 9” é dado a grandezas. Grandes discursos, frases de efeito, gestos e acontecimentos estão por todo lado. Às vezes em sequência, às vezes com espaço para respirar. Se por um lado existem pontos positivos para a situação — ajuda no processo de construção da protagonista, que sofre o livro todo com questões relacionadas a autoestima e autoaceitação, para citar alguns —, por outro cansa o leitor com facilidade ao se aproximar demais da armadilha da banalização.

Diferentemente de outros livros mais famosos com propostas parecidas, neste os capítulos que narram os encontros dos personagens são tudo o que temos como referência. Não existe conexão entre eles nos intervalos, assim como não existem capítulos narrados nos meses entre os dias nove de novembro. Como resultado, ele consegue passar bem a sensação de “cegueira” e ansiedade constantes nos personagens que, vistos por si só, justificam a intensidade característica dos capítulos.

Romance instantâneo faz parte da receita, assim como decisões de sentido questionável e pitadas de radicalismo. Elementos que se contrapõem até formar um equilíbrio interessante no fim. Com o tempo, fica cada vez mais claro que os erros e acertos serviam a um propósito que não só dava veracidade à história como permite que a premissa se desenvolva. Conta a favor a autora não guiar a narrativa por caminhos que deem a entender que Ben e Fallon se conhecem de fato. Até porque não é verdade. Pelo menos os próprios personagens sabem.

Ainda sobre o relacionamento dos dois, uma das coisas que mais se destaca no novelão em que ele se torna é a confusão na qual ele deságua. Não que isso em si surpreenda… Já as razões, sim. Sob um olhar bem frio, Ben passa o livro inteiro ou mentindo ou encobrindo omissões, o que faz com que Fallon seja privada de informações vitais sobre um dos grande divisores de águas da própria vida. É desigual e desonesto. Levando em consideração que o livro é basicamente narrado novembro a novembro, são anos de uma relação nociva, pautada falsas motivações. Voltar a olhar para como o livro se desenvolve depois de saber o quê, como e por que dos pontos-chave é no mínimo perturbador.

Ben é esse homem que surge do nada, age de forma premeditada sem que a outra parte saiba, esconde uma montanha de segredos… Não tem romance que torne essa combinação bonito. As emoções e os acontecimentos do livro são complexos, é verdade. São muitas as camadas retiradas até o fim. Porém, ainda que haja amor envolvido, é muita deturpação do tropeço à queda. Ao fim, me preocupa o quanto tantos de brilho sobre montes de acontecimentos obscuros pode se passar por contos de fadas.

    "Novembro 9" é dado a grandezas. Grandes discursos, frases de efeito, gestos e acontecimentos estão por todo lado. Às vezes em sequência, às vezes com espaço para respirar. Se por um lado existem pontos positivos para a situação — ajuda no processo de construção da protagonista, que sofre o livro todo com questões relacionadas a autoestima e autoaceitação, para citar alguns —, por outro cansa o leitor com facilidade ao se aproximar demais da armadilha da banalização. Diferentemente de outros livros mais famosos com propostas parecidas, neste os capítulos que narram os encontros dos personagens são tudo o…

Avaliação Final

Plot
Desenvolvimento
Conflito
Clímax
Desfecho

Média

Avaliação dos leitores sobre o livro: Seja o primeiro a opinar!