12508905_10153622318402713_1653169464726183761_nQuando os livro de David Levithan chegaram ao Brasil, nem todos já conheciam seu trabalho. “Nick & Nora” já estavam no catálogo da Galera Record há alguns anos quando o burburinho finalmente começou. Era a chegada “Will & Will” causando alvoroço; o primeiro livro com temática gay a emplacar na lista de mais vendidos, coescrito em parceria com John Green. Outras parcerias vieram: “Invisível”,  “Naomi & Ely e a lista do não-beijo”, “Me abrace mais forte” e o lançamento “O Caderninho de Desafios de Dash e Lily!”. Três títulos de “trabalho solo” também foram publicados pela Galera, sendo dois deles “Garoto encontra garoto”, e “Dois garotos se beijando”. Nenhum, porém, me tocou tanto quando “Todo dia”. Para mim, este é disparado o melhor livro do autor, que agora ganha sequência em “Outro dia”.

É chegada a vez de contar a história de Rhiannon, a garota que se apaixona por A e cuja vida é repleta de dramas e pesos. Um deles sendo o relacionamento abusivo no qual se encontra. Mas as coisas não estão prestes a se tornarem mais fáceis, já que A acorda num corpo diferente a cada dia, não importando lugar, gênero ou personalidade. Mas A já narrou sua história em “Todo dia”. Este é o registro dos desafios de Rhiannon.

É aqui que acaba. É aqui que começa. Cada momento. Todo dia. É aqui que acaba. É aqui que começa.

É difícil para mim falar sobre “Outro dia” tanto quando de “Todo dia”. David Levithan entrou para meu hall de autores favoritos com o primeiro. Quando achei que não poderia melhorar, se consagrou na posição com a continuação. Todos os meus medos de que o novo livro prejudicasse de alguma forma a experiência do primeiro foram reduzidos a pó. “Outro dia” é complemente, sim, mas também é forte sozinho. Anda com as próprias pernas. E, para meu alívio, é tão bom quanto.

Ler esse livro é encontrar páginas intensas, verdadeiras, capazes de gerar uma empatia tão grande que os personagens quase se tornam você. Este é um livro poderoso. Bem daquele tipo que fica com você por dias, meses, anos. Parte disso se deve à delicadeza com o qual é amarrado. Lê-lo é como admirar as pinceladas de um belo quadro.

A relação de A e Rhiannon se traduz de tantas formas nas vivências humanas. A situação deles é apenas um dos artifícios para mostrar a complexidade dos sentimentos e emoções de todos nós. Ambos são personagens fortes, bem construídos, que crescem com a desenvolvimento de  uma história narrada de forma inegavelmente envolvente.

Em que um livro recontando acontecimentos pode acrescentar? Muita coisa. É uma delícia acompanhar uma nova perspectiva, conhecer melhor os personagens, as nuances que ficaram de fora antes. Isso, claro, para quem veio da leitura de “Todo dia”. Mas não se preocupe, não é preciso passar por um para embarcar no outro. Garanto que valerá a pena de uma forma ou de outra. Apenas deixo meu alerta: uma vez conquistado, não importa a ordem, os dois acabarão na sua lista.

Título original: Another Day
Editora: Galera Record
Número de páginas: 322