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[Resenha] O Substituto — Philippa Gregory

“O substituto” é o primeiro livro juvenil de Philipa Gregory. PhD em literatura do século XVIII, a autora é também conhecida por seus programas de rádio e televisão. Entre suas obras de sucesso estão “A irmã de Anna Bolena”, adaptado para os cinemas em 2008 com o título nacional “A outra”, e “A rainha branca”, que em 2013 deu origem à série da BBC “The white queen”.
O jovem, belo e inteligente Luca Vero, sempre foi visto com desconfiança. Noviço em um monastério rigoroso, em pleno 1453, o garoto ousa fazer questionamentos que resultam na acusação de heresia que pode levá-lo à morte. Expulso do único lar que conheceu desde o desaparecimento dos pais, sua única salvação é o recrutamento para a misteriosa Ordem que investiga estranhos relatos que assombram o mundo cristão.
Logo numa das primeiras missões designadas a ele, Luca é enviado à abadia de Lady Isolde, onde as freiras sofrem com visões perturbadoras e a abadessa de família rica foi aprisionada pelo irmão. Não tarda a ficar claro que Luca e Isolde devem se unir para desvendar a causa dos ataques de histeria no convento. Com as pistas apontando para bruxaria e a moça se tornando possível vítima da Inquisição, Luca precisará de toda sua perspicácia para ajudar a salvar aquela que lhe desperta sentimentos que nunca sentiu antes.
Luca não conseguia tirar os olhos da mulher que escondera o rosto dele com um véu e cobrira seu cabelo para que ele jamais soubesse qual era sua aparência. Ele a encarava sob a luz dourada do sol nascente, vendo-a pela primeira vez: tinha olhos azul-escuros e sobrancelhas castanhas arqueadas, um nariz perfeito e reto, uma boca tentadora e quente. Depois, o irmão Peter veio até eles e Luca olhou para aquelas mãos sujas de sangue enquanto o copista as amarrava com uma corda. Ele se deu conta de que ela era uma criatura de horror, uma linda criatura de horror, a pior coisa entre o céu e o inferno: um anjo caído.
Pág. 118
“O substituto” foi bombardeado de problemas. É tanta coisa que dá errado que desconfio ser mais o nome de Philippa Gregory a mantê-lo de pé do que qualquer outra coisa. Quando a situação não está ruim está tediosa; quando não tediosa, ruim.
Luca e Isolde são personagens complicados, mas isso só para digerir. A dura realidade é que ambos têm personalidades são rasas. Eles beiram o limite do desinteressante, não despertam empatia nem guiam a trama com a energia necessária para dar uma guinada. Ficam só ali, marido e esposa de uma história com a qual se comprometeram a ser fiéis na alegria ou na tristeza. Pena estarem presos na segunda opção.
O livro parece mais um trabalho de iniciantes, alguém ainda cometendo os erros e acertos do começo da carreira. Que esse alguém seja a responsável por títulos tão consagrados é no mínimo triste. Philippa parece confusa, desengonçada, até um pouco perdida. Prefiro acreditar que é apenas a mudança do estilo adulto para o juvenil a assombrando.
Como se não bastasse a trama fraca, temos ainda os clichês de novelão do qual, sinceramente, poderíamos ser poupados. Esse é só o primeiro volume da série “Ordem da escuridão”, mas já fica definido que não continuarei. Fica minha alegria pela existência daquelas boas e velhas palavras que já fizeram tantos dos meus dias: “Não sou obrigada”. E não sou mesmo. À autora deixo apenas o desejo de que nosso reencontro seja melhor em outro momento (e outro livro).
Título original: Changeling
Editora: Galera Record
Número de páginas: 272
ISBN: 9788501403193

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