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[Resenha] Reboot — Amy Tintera

“Reboot” é o primeiro livro da americana Amy Tinteira, jornalista especializada em cinema que decidiu voltar à primeira paixão, a escrita. Trata-se de uma obra declaradamente inspirada em séries de TV como “Buffy”, “The walking dead” e “Dexter”. Sua sequência, “Rebel”, foi publicada nos Estados Unidos em maio de 2014, finalizando a duologia.
Os Reboots surgiram depois que a população do Texas foi dizimada por um víris. Os humanos começaram a voltar da morte mais fortes, rápidos e quase invencíveis, traços acentuados a cada momento prolongado no mundo dos mortos. Uma dessas pessoas é Wren, agora conhecida como 178 graças à igual quantidade de minutos levados até sua inicialização.
Wren é a Reboot mais durona da Corporação de Repovoamento e Avanço Humano (CRAH). Nessa posição ela pode escolher a quem treinar, sempre optando pelos mais fortes até que um 22 chama sua atenção na nova leva de novatos. É a partir daí que a convivência com o ousado e questionador Callum Reyes a faz repensar o mundo em que vive.

Os números mais baixos quase sempre choravam. O 45 provavelmente teria chorado. Ele só ficou morto por 45 minutos antes de ressuscitar. Quanto menos tempo se ficasse morto antes de voltar como um Reboot, mais humanidade ficava retida. Eu fiquei morta por 178 minutos. Não chorei.

O grande problema desse livro é o desperdício de potencial. A premissa pode não ser a mais original (vamos lá, nós já vimos isso de vírus, mortos-vivos e blablablá em mais lugares do que podemos contar), mas é aí que entra o diferencial da execução. O que diz respeito exclusivamente à distopia em si é bacana de se ver. Num mundo perfeito isso até poderia ser suficiente, mas aqui na realidade o efeito foi meio como morrer na praia. Tintera optou pela trilha do mais do mesmo ao invés do caminho mais ousado, inventivo, e com isso seu trabalho desandou na segunda metade.
A certa altura ficou impossível notar a quantidade de viradas infelizes. Entra nessa categoria o fator romance, que além de desnecessário provoca mudanças em comportamentos que vinham seguindo bases opostas. O único motivo que temos para isso é simplesmente porque Deus quis! Ou a autora, que seja. O fato é que mais uma coisa que poderia contar a favor escorregou feio. Sem o romance resta pouco, quase nada, e clichê + mimimi de paixonite + embasamento fraco = receita para desastre.
A fluidez da leitura oscila. Apesar de ser eletrizante, com muita ação e tensão, os incômodos causados pelos problemas prejudicam. Se tem algo que não consigo é fazer vista grossa para o que não me convence. Quanto nos pegos pensando “Por algum motivo…” com cada vez mais frequência enquanto questionamos algo, por mais superficial que seja, é sinal vermelho.
“Reboot” é bom de num olhar geral, mas peca nos detalhes. Teria sido melhor se ele fosse linear ao invés de rebaixado de excelente para legal.
Título original: Reboot
Número de páginas: 347
Editora: Galera Record

1 Comentário

  • Luana Gantert
    20 de abril de 2015 at 17:35

    Só conhecia a sinopse do livro e até então fiquei com muita vontade de ler mas não sei se ainda estou no clima de ler distopias cliclês :/. Detesto quando me deparo com livros assim, que tem tudo para serem maravilhosos e acabam desperdiçando o potencial.

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