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[Resenha] Se Você Me Chamar Eu Largo Tudo… Mas por favor me Chame — Albert Espinosa

“Se você me chamar eu largo tudo… Mas por favor me chame” é o segundo romance de Albert Espinosa, ator, diretor, roteirista e engenheiro químico espanhol. Também são dele o autobiográfico “O mundo amarelo”, transformado em série de TV na Espanha e na BBC americana, e “Tudo que você e eu poderíamos ter sido se não fôssemos você e eu”, já resenhado aqui no blog.

Apesar das discussões habituais com a esposa, Dani é pego de surpresa quando ela lhe informa estar de partida. As malas que levam embora todos os seus pertences deixam na casa o mesmo vazio que no homem. Mas o trabalho, ah, o trabalho, o chama bem nesse momento. Representando para Dani uma chance de se concentrar em qualquer outra coisa, mesmo quebrando as próprias regras, ele aceita o pedido de ajuda de um pai desesperado em busca do filho desaparecido, caindo nos braços do caso que promoverá o reencontro com o passado e a reflexões sobre a vida, histórias de amor e coisas que realmente importam.

—  Antes cair que caminhar? – indaguei, curioso.
—  Sim, assim perdi o medo das quedas. E, se você perde o medo das quedas, caminha melhor e pode até se atrever a correr. Tudo na vida deveria ser assim. Primeiro cair e depois caminhar.

Eu me rendo a Albert Espinosa. Essas são palavras de quem, já encantada pelo trabalho anterior, viu serem eliminadas quaisquer dúvidas sobre habilidade do autor de criar arte através de palavras. Em poucos capítulos, sem lançar mão de floreios ou manipulações, a simplicidade mais uma vez atinge o alvo com porte real.

A história é narrada no vai e vem entre presente e passado. É como que costurada pelas memórias desse narrador que interage conosco e nos conduz por uma trama pouco adepta da linearidade, cuja mensagem é mais importante do que o ponto de chegada comum. Essa é uma reflexão poética sobre as experiências que nos formam.

Numa conversa com amigos, me peguei falando a respeito de “Se você me chamar eu largo tudo… Mas por favor me chame”. Um deles soltou um “Ah, daquele autor dos títulos enormes!’. Pensando nisso, cheguei à conclusão de que não é nada mais que justo do que presentear com títulos grandes  obras de grandeza correspondentes.

Título original: Si Tú Me Dices Ven Lo Dejo Todo, Pero Dime Ven
Número de páginas: 154
Editora: Verus

1 Comentário

  • Felipe Santos
    18 de abril de 2015 at 14:49

    Sou completamente apaixonado por títulos longos. Não sei a razão, mas sempre que vejo um eu fico tão intrigado que começo a formular uma possível história. Não foi diferente com esse título e não foi diferente com a ligação que você fez sobre o outro título do autor. Quero me render também!

    Beijos,
    Felipe Matheus
    A Hora do Livro

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