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[Resenha] Queda de Gigantes — Ken Follett

“Queda de gigantes” é o primeiro volume da trilogia “O século”, cujos sucessores são “Inverno do mundo” e “Eternidade por um fio”, respectivamente. Seu autor é o premiado britânico Ken Follett, famoso pelo título “Os pilares da terra”, adaptado para televisão em 2010 e de sucesso inquestionável  há 26 anos. Alguns de seus outros livros são “Mundo sem fim”, “O buraco da agulha” e “Um lugar chamado liberdade”.
Nesse livro, membros de cinco famílias de diferentes nacionalidades e classes sociais são incorporados ao quadro dos principais acontecimentos da história da humanidade. Sufrágio feminino, Revolução Russa, Primeira Guerra Mundial e ascensão da classe trabalhista marcarão tanto época quanto  a vida desses personagens.
No País de Gales, Billy Williams é um garoto de 13 anos que, agora com idade suficiente, passa a fazer parte da força de trabalho das minas de carvão da cidade. Já sua irmã, Ethel, acende à posição de governanta na mansão da aristocrática família Fitzherbert, proprietária das minas. Família essa da qual fazem parte a sufragista lady Maud, que se arrisca ao viver um romance com o espião alemão Walter Von Ulrich, o conservador conde Fitz e sua esposa de origem russa, Bea. Enquanto isso, na própria Rússia, Grigori e Lev Peshkov são irmãos órfãos que veem seus caminhos tornando-se cada vez mais opostos à medida em que um se vê envolvido com a guerra e a revolução bolchevique e o outro parte ao encontro do sonho da democracia, aparentemente possível nos Estados Unidos do jovem Gus Dewar, assessor do presidente Woodrow Wilson.

O homem era o único animal que matava seus semelhantes aos milhões e que transforma a natureza em um deserto de crateras de arame farpado. Talvez a raça humana acabasse se extinguindo por completo, deixando o mundo para os pássaros e árvores, pesou Walter, apocalíptico. Talvez fosse melhor assim.

Essa é uma obra que entrelaça ficção e história, na qual o grande diferencial está no mérito de realizar a fusão com maestria. Ler “Queda de gigantes” é uma experiência intensa. Trata-se de um livro longo, com grande teor histórico, muitas vezes denso e com um verdadeiro bombardeio de romance. Ele mexe com o emocional e atiça a memória. Os grandes temas que traçam o rumo da história manipulam os personagens, mas Follett manipula a nós, leitores.
A história está sempre em movimento, seja por conta de perigos, conspirações, romances ou até mesmo decisões pessoais aparentemente inofensivas. Com narração em terceira pessoa, o passar das páginas é uma dança elegante, na qual pares e holofotes são trocados e modificados sem que perdas ou tropeços. Do muito que é criado e apresentado, especialmente considerando personalidades, circunstâncias e passagem de tempo, tudo é explorado.

Grigori teve a sensação de que seu coração havia parado de bater. Oito dias, penso ele. Oito dias atrás, as mulheres de Vyborg atravessaram a ponte Liteiny. E agora o reinado dos Romanov havia chegado ao fim.
Ele se lembrou das palavras da mãe no dia de sua morte: “Não vou descansar até a Rússia ser uma república”. Então pensou: pode descansar agora, mãe. […]
Nós conseguimos, pensou ele. Nós fizemos uma revolução.

Logo no início há uma espécie de glossário, uma lista citando personagens divididos por famílias e nacionalidade que já indica que, sim, amiguinho, seu cérebro terá que trabalhar para acompanhar o que está por vir. Mas deixe-me avisá-lo: a imersão na trama pode até ser difícil, porém sair dessa narrativa do início do século XX será mais. É bem verdade que “Queda de gigantes” se aproxima de um novelão. Se dependesse de mim, seria diferente nesse quesito. Menos drama ou romance viria a calhar. Mas, bem, pelo menos é um novelão dos bons.
Título original: Fall of Giants
Número d páginas: 912
Editora: Arqueiro

1 Comentário

  • Ju LiteRata
    19 de fevereiro de 2015 at 00:56

    Kim, já li, e lembra que disse para que você segure os pontos no próximo? é justamente por esse quesito novelão, coisas "quase" inesperadas acontecem com personagens que no decorrer da narrativa nos identificamos e é fato que para o leitor que se deixa envolver isso se torna uma espécie de sofrimento, mas é aí que Follett surpreende. eu como leitora de históricos amei este livros e estou prestes a iniciar o último, já espero por boa dose de drama, romance e realidade!

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